Segurança
Deputado preso com pistola votou pelo desarmamento
Fiança de R$ 1 mil livrou Paulo Gouvêa (PL) da prisão

NILSON MARIANO

O deputado federal Paulo Gouvêa (PL-RS) poderá ser processado por porte ilegal de arma. Pego com uma pistola .380, o deputado foi autuado em flagrante pelo delegado Leonel Baldasso Pires, da 1ª Delegacia da Polícia Civil de Cachoeirinha, e indiciado pelo crime. Gouvêa foi um dos parlamentares que votaram a favor do Estatuto do Desarmamento.

O parlamentar não tinha o porte da arma, que estava registrada em seu nome. Nenhum brasileiro, nem mesmo parlamentares, pode usar armas sem cumprir as exigências do Estatuto, aprovado pelo Congresso em dezembro passado.

Na noite de quarta-feira, Gouvêa envolveu-se numa confusão entre cabos eleitorais do PT e do PMDB, nas proximidades do salão paroquial da Igreja da Boa Viagem, em Cachoeirinha. Ele fazia campanha para o irmão, Luís Gouvêa (PL), candidato a vice-prefeito na chapa de Gilson Nunes (PMDB). O conflito terminou com a chegada da Brigada Militar. O deputado federal foi levado à 1ª DP.

Há duas versões para o tumulto

Gouvêa foi liberado logo depois do flagrante porque pôde pagar fiança, arbitrada em R$ 1 mil pela Justiça. A juíza plantonista concedeu o direito a fiança porque a arma tinha registro e era do calibre permitido a civis. Se não houvesse o registro, seria inafiançável, e o deputado poderia ir direto para o presídio.

O parlamentar explicou, ontem, que levou a pistola como medida de segurança, devido ao acirramento de ânimos na reta final da campanha, mas que não pretendia usá-la. Argumentou que poderia ter deixado o local da confusão antes da chegada da Brigada, mas preferiu ficar ao lado dos assessores.

O conflito tem duas versões diferentes. Gouvêa disse que os militantes do PL e do PMDB foram insultados e agredidos por filiados do PT.

O coordenador da campanha da Frente Popular Trabalhista (PT e mais sete partidos), Nelson Postay, garantiu que foi ao contrário. Postay disse ter sofrido coronhadas de um assessor do deputado.

( nilson.mariano@zerohora.com.br )

O que disse
Paulo Gouvêa, deputado federal (PL-RS):
" O cidadão de bem, o chefe de família, na defesa do seu patrimônio e da sua vida, tem o direito de usar uma arma, desde que esteja qualificado para isso. O novo estatuto não reduzirá em um ponto sequer a violência no país"
O que diz a lei
O Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826), de dezembro de 2003:
- Quem estiver com arma de fogo registrada e de calibre permitido para civis, mas sem o porte (situação do deputado federal Paulo Gouvêa): pena de dois a quatro anos de reclusão, mais pagamento de multa. Pode pagar fiança e responder a processo em liberdade.
- Quem estiver com arma de fogo, mas sem registro e sem o porte: pena de dois a quatro anos de reclusão, mais a multa. No entanto, não tem direito a fiança. Será preso no ato.
Requisitos para o porte
Os portes antigos perderam a validade em 21 de setembro. Quem solicitar o novo porte deverá cumprir os seguintes requisitos:
- Apresentar documentação de propriedade de arma de fogo, bem como o devido registro no órgão competente
- Teste psicológico
- Teste de tiro
- Certidão de bons antecedentes fornecidos pelas Justiças Federal, Militar, Eleitoral e Comum
- Demonstração da necessidade de ter um porte de arma em decorrência da profissão ou comprovação de que sua integridade física está sob ameaça
- Pagamento de uma taxa de R$ 1 mil