
Edição 1897 . 23 de março de 2005
http://veja.abril.com.br/ Diogo Mainardi
Marcelo, o não
tão Sereno "Um
senador o chamou de PC Farias do PT.
Um deputado o definiu como caixa do PT do Rio.
Era o principal colaborador de José Dirceu no
ministério. Quando Waldomiro Diniz caiu, ele
também caiu. Foi varrido para baixo do tapete,
mas continua a fazer o jogo sujo do governo"
Marcelo
Sereno. Um senador o chamou de PC Farias do PT. Um
deputado
o definiu como caixa do PT do Rio. Era
o principal colaborador de José Dirceu no ministério.
Waldomiro Diniz negociava as emendas, Marcelo Sereno,
a distribuição de cargos. Quando caiu o
primeiro, o segundo também caiu. Luiz Eduardo
Soares garante que Marcelo Sereno conhecia o esquema
de propinas de Waldomiro Diniz. E ficou calado.
Marcelo
Sereno está agora na Secretaria de Comunicação
do PT. Foi varrido para baixo do tapete, mas continua
a fazer o jogo sujo do governo. Recentemente, mandou
uma carta a VEJA em que me acusa de receber dinheiro
da indústria nacional de armas para atacar o Estatuto
do Desarmamento. Isso eu não topo. Vamos lá.
Ponto por ponto.
Primeiro.
O Brasil tem uma única fábrica
de armas e uma única fábrica de munição,
que abastecem o Exército e a polícia. Não
recebo dinheiro delas. Não as defendo. Pelo contrário.
Quero que se danem. O monopólio privado nesses
dois setores deve ser quebrado, porque compromete a segurança
nacional. Nossa polícia precisa ter acesso a equipamento
de melhor qualidade e mais barato. Os policiais americanos
usam a pistola austríaca Glock ou a italiana Beretta.
Se os americanos usam pistolas estrangeiras, nós
também podemos usar. Quanto à munição,
a reserva de mercado é igualmente deletéria.
Uma bala no Brasil custa o triplo do que nos Estados
Unidos. É tão cara que nossos policiais
não podem praticar tiro. Por isso, não
acertam no alvo. Por isso, morrem sem parar.
Segundo.
Marcelo Sereno fez piquete contra a privatização
da Vale do Rio Doce. De lá para cá, ele
mudou muito: até passou a aceitar dinheiro das
companhias privatizadas, tendo sido indicado pelo BNDES
para o cargo de conselheiro de duas grandes empresas
de energia. Apadrinhados de Marcelo Sereno estão
espalhados na administração pública.
Controlam do setor de comunicação na Anatel
ao de pesquisas nucleares na INB. Em dois anos, o governo
do PT contratou mais de 40.000 servidores. Essa grilagem
do Estado foi coordenada por Marcelo Sereno. No período,
os gastos federais com pessoal subiram 23,1 bilhões
de reais. Se esse dinheiro tivesse sido aplicado no combate à criminalidade,
milhares de pessoas teriam sido salvas. Não foi
o que ocorreu. Ao mesmo tempo que os gastos com pessoal
aumentaram, os investimentos em segurança pública
diminuíram. Em 2004, foram só 273 milhões
de reais. Os apadrinhados do PT não custam somente
dinheiro – custam vidas.
Terceiro.
O Ministério da Justiça se baseia
em estatísticas do estado de São Paulo
para afirmar que, no ano passado, o número de
homicídios caiu "em função
do Estatuto do Desarmamento". Lorota. O número
de homicídios no estado de São Paulo realmente
caiu em 2004. Só que caiu num ritmo ainda mais
acentuado em 2003, quando não havia Estatuto do
Desarmamento. O mérito pela queda no número
de homicídios é do governo estadual, não
do federal.
Quarto.
Promotores do desarmamento avisam que é perigoso
reagir a assaltos. Não reagir também é perigoso.
O perigo está nos assaltos, não na reação.
O governo inverte a questão para se eximir de
responsabilidade.
Quinto.
Armas não disparam sozinhas. Claro que
acidentes acontecem. Seu filho pode enfiar o dedo na
tomada. Pode pular da janela. Pode apertar o gatilho
de um revólver. Pode se tornar um PC Farias do
PT. |