Terça-Feira,
02 de Novembro de 2004
Reportagem
Os números da violência
César Galvão
A
Secretaria de Segurança Pública divulgou
hoje os números da violência em São
Paulo nos meses de julho, agosto e setembro. Apesar
da queda em casos de assalto e homicídio, um
dado chama a atenção: o latrocínio,
que é o roubo seguido de morte, teve um aumento
assustador de 40%.
Um
estudante, que não quis revelar seu nome,
foi dominado na porta da casa da namorada e enfrentou
uma hora e meia de ameaças, feitas por seqüestradores. "Bateram
no meu vidro com uma arma e falaram que era para eu
passar para o banco de trás. Aí uma pessoa
assumiu o volante e outra foi comigo atrás”,
conta o jovem.
O
jovem foi uma das 1.053 vítimas de seqüestros
relâmpago na Grande São Paulo no primeiro
semestre desse ano. O crime que mais assusta a população
não aparece nas estatísticas da polícia.
Alguns terminam de maneira trágica.
Na
semana passada, o corpo do atleta chileno Enrique
Gonzáles foi encontrado em Osasco. Ele havia
sido seqüestrado dois dias antes.
O
balanço divulgado hoje mostra que os assaltantes
têm agido com mais violência. Os latrocínios,
roubos em que as vítimas são assassinadas
aumentaram 40% nos últimos três meses
no estado. A grande maioria dos casos aconteceu na
capital.
De
julho a setembro desse ano, 54 pessoas foram mortas
por
bandidos durante assaltos. No trimestre anterior
foram 21 casos. "Existe uma ação
forte da PM. Como a criminalidade é dinâmica
os bandidos procuram e a PM vai atrás",
diz o comandante da Polícia Militar, Carlos
Alberto Silveira.
As
estatísticas também apontam queda
em alguns crimes violentos no estado. O número
de assassinatos caiu 14% em relação ao
terceiro trimestre do ano passado. Os roubos diminuíram
em 10%, mesmo assim, no último trimestre somaram
mais de 57 mil e 700 casos.
De
julho a setembro foram registrados 28 seqüestros
em todo o estado. Oito pessoas ainda estão em
cativeiro. Para dar informações que possam
ajudar na libertação das vítimas
pode ser feita ao disque-denuncia: 0800-156315.
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