Primeiro Caderno - Opinião
24/06/2005

CAMARADA DE ARMAS

É uma bagunça e um desrespeito com o cidadão brasileiro. O deputado José Dirceu chama a nova chefe da Casa Civil de camarada de armas, como se governar o Brasil fosse a guerrilha deles. O deputado Jair Bolsonaro dá uma de moleque numa Casa em que deveria reinar a harmonia. Uma ex-secretária fala mal do ex-chefe, como se essa atitude fosse nobre e engrandecesse o seu currículo como ser humano. Levar vantagens nas negociatas é obrigatório no conceito dos deputados. É um tanque que sempre esteve cheio com água suja. Dá arrepios e amedronta porque o futuro será conseqüência deste lamaçal e é o nosso Brasil.

TERESA ABREU DE ALMEIDA

(por e-mail, 23/6), Rio

Infeliz, inoportuna e perniciosa a referência que José Dirceu fez para sua substituta na Casa Civil, Dilma Rousseff - camarada de armas - particularmente por serem integrantes de um governo que levantou a campanha do desarmamento. Se não foi pura bazófia para atrair os holofotes, leva-nos a questionar. Qual seria o sentido de tal campanha, uma vez que ele afirmou que pretende correr o país para movimentar as massas em defesa do governo respingado? Ontem, no Congresso, já vimos uma amostragem de suas intenções.

JOÃO ROBERTO GULLINO

(23/6), Petrópolis, RJ

Estamos aceitando viver um momento surrealista, incorporando valores completamente deturpados. Detentores do poder são acusados das maiores corrupções, pedem-nos para nos desarmarmos, mas vangloriam-se de terem usado e abusado das armas. Camarada de armas é como o deputado José Dirceu se refere à ministra Dilma Rousseff. Aliás, é Dilma, ou Wanda, ou Patrícia, ou Estela, ou Luiza? E Dirceu, é José, ou Antonio, ou João, ou sei lá o quê? No meu tempo, isso era falsidade ideológica, passível de prisão. Agora, ser guerrilheiro, assaltante e seqüestrador parece que é pré-requisito para nos governar.

ROBERTO PINHO LUZ

(por e-mail, 23/6), Rio

Com que moral este governo vem fazer campanha de desarmamento? O ex-ministro José Dirceu, ao passar o cargo a Dilma Rousseff, refere-se a ela como "minha camarada de armas". Ao voltar para a Câmara dos Deputados, em seu primeiro discurso, diz: "Quando eu lutava de armas na mão...".

SIDNEY CARDOSO

(via Globo Online, 23/6), Rio

Quando o ministro mais importante do governo, o chefe da Casa Civil, ao saudar a nova ministra que assume a chama de camarada de armas, estamos diante de um paradoxo. Parece-me que ambos não somente estão a favor das armas como, principalmente, estão afeitos à sua utilização.

ANGELO VIVACQUA

(via Globo Online, 23/6), Rio

É de estarrecer que antigos guerrilheiros da bandeira marxista-leninista hoje se apresentam ao povo brasileiro como defensores das liberdades individuais e dos direitos humanos. São os nossos recentemente autoproclamados camaradas de armas. Na verdade, nos idos dos anos 70, emoldurados pelo cenário da Guerra Fria, pegaram eles em armas, isto sim, para defender a ideologia do partido único, do jornal único, da arte única, do pensamento único, em suma, do obscurantismo absolutamente único. Um acinte à inteligência do povo brasileiro.

RUI DA FONSECA ELIA

(por e-mail, 23/6), Rio

Vexame na Câmara

Não bastasse o povo estar estarrecido com o festival de mútuas acusações e declarações de corrupção, agora somos obrigados a assistir a cenas dantescas de agressões entre deputados na Câmara. Está na hora de ser agilizado um plebiscito para termos um parlamentarismo que saiba honrar a pátria e respeitar o povo, ao invés de sustentarmos vereadores, deputados e senadores que nada fazem pelo povo.

CARLOS ALBERTO M. DE BARROS

(por e-mail, 22/6), Rio

Não existe no Brasil um lugar que tanto precise de um bom exemplo como o Congresso Nacional. Os recentes escândalos (e os antigos também), a demonstração de selvageria na volta de José Dirceu, o corporativismo e o clientelismo, as negociatas, as formas de tratamento do tipo: vossa excelência é ladrão, vossa excelência é corrupto, vossa excelência é safado, a falta de ética, a democracia solapada, os interesses individuais acima dos interesses da nação, a falta de governabilidade, a briga por poder, os juros altos, a ganância, enfim, são exemplos diários que nós, cidadãos, acompanhamos sempre. Por essa razão, dar um bom exemplo naquela Casa seria fundamental, seria um passo adiante. Resta saber se existe alguém capaz de começar.

JOCEIR RAMOS

(via Globo Online, 23/6), Niterói, RJ

O GLOBO acolhe opiniões sobre todos os temas. Reserva-se, no entanto, o direito de rejeitar acusações insultuosas ou desacompanhadas de documentação. Também não serão publicados elogios ou agradecimentos pessoais. Devido às limitações de espaço, será feita uma seleção das cartas e quando não forem suficientemente concisas, serão publicados os trechos mais relevantes.

As cartas devem ser dirigidas à seção Cartas dos Leitores (O GLOBO - Rua Irineu Marinho 35, CEP 20.233.900), pelo fax 2534-5535 ou pelo e-mail cartasoglobo.com.br. Só serão levadas em conta cartas com nome completo, endereço e telefone para contato, mesmo quando enviadas por e-mail.


Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Opinião Tamanho: 2144 palavras
Edição: 1 Página: 6
Coluna: Seção: Cartas dos Leitores
Caderno: Primeiro Caderno


© 2001 Todos os direitos reservados à Agência O Globo