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Rio, 21 de fevereiro de 2005 - Versão impressa
Estado vai a STF para manter ICMS de armas
O procurador-geral
do Estado, Francesco Conte, informou ontem que o governo
do estado vai recorrer ao Supremo
Tribunal Federal (STF) da decisão do Tribunal
de Justiça do Rio, que derrubou, segunda-feira
passada, a Lei 4.135/2003. A legislação
aumentava o ICMS no estado sobre a venda de armas e
munição em 200%. Os desembargadores do Órgão
Especial do TJ entenderam que a lei é inconstitucional.
Segundo Conte, essa interpretação é equivocada
e, por isso, vai ingressar com um recurso extraordinário
no STF.
As críticas dos 25 desembargadores que integram
o Órgão Especial ao Estatuto do Desarmamento
estão provocando reações. Elas constam
da sentença sobre a ação direta
de inconstitucionalidade, impetrada no TJ pelo deputado
federal Flávio Bolsonaro (PP).
O secretário estadual de Segurança Pública,
Marcelo Itagiba, lamentou a decisão. Através
de sua assessoria de imprensa, disse que os altos impostos
poderiam reduzir a criminalidade.
O presidente
do Tribunal de Justiça, Sérgio
Cavalieri Filho, afirmou que defende o Estatuto do Desarmamento
e que é contra a população se armar.
Cavalieri, porém, ressaltou que a lei estadual
que aumenta o ICMS é inconstitucional.
O presidente
da ONG Viva Rio, Rubem Cesar Fernandes, espantou-se
ao saber que os desembargadores TJ não
apóiam o estatuto. Para ele, os magistrados estão
dando passos para trás. E a cientista política
Lúcia Hipólito ficou surpresa com as críticas
ao estatuto.
— Os desembargadores
podem ter uma opinião formada
de foro íntimo, mas não deveriam ser contra
uma lei federal, aprovada pelo presidente da República
— disse Lúcia, que preferiu não questionar
a razão pela qual os magistrados decidiram, por
unanimidade, derrubar a lei que aumenta o ICMS sobre
armas e munição.
Mas houve
quem apoiasse as críticas dos desembargadores.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio,
Octávio Gomes, disse que a legislação
sobre armas não está se mostrando eficaz
para diminuir a criminalidade. Segundo ele, bandidos
não compram armas em lojas.
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