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Cidades
19/08/2005 - 11h53m


Ciclo de Debates sobre o Desarmamento no Brasil, realizado pelo CONSEG, supera expectativas


Luiz Carlos Izzo - Redação


O Conselho Municipal de Segurança –CONSEG-, realizou na noite desta quinta-feira, 18, um ciclo de debates sobre a venda de armas de fogo e munição no Brasil. Na ocasião o público presente pode se manisfestar através de uma votação simbólica, a exemplo do referendo a ser realizado no dia 23 de outubro próximo em todo território Nacional. A reunião foi dividida em três blocos, onde em cada um deles, um palestrante pôde explanar seu pensamento sobre o Estatuto do Desarmamento.

O primeiro a falar foi o jornalista Admilson Oliveira, sendo seguido pelo médico psiquiatra, Dr. José Ari. A terceira e última participação, foi a do Major Olímpio, da Polícia Militar.

A palestra mais “inflamada” foi feita pelo major Olimpio, que diante seus 28 anos de serviço militar, vem acompanhando de perto a “farsa” que é o Estatuto do Desarmamento. Acompanhe parte do pronunciamento do oficial:

- Nós da Polícia Militar, Civil e também das Guardas Municipais, presenciamos a apreensão de 40 mil armas por ano no Estado de SP, o que dá mais de 100 armas por dia. O que vai ser votado no final do ano é o comércio ilegal de armas e munições em nosso País, porém, estão escondendo do cidadão brasileiro a verdade que está estampada nesse Estatuto. Não vai adiantar absolutamente nada, pois o bandido, o marginal, não irá devolver as armas que usam para matar, roubar e seviciar. O Brasil deve parar com esse engodo e principalmente ficar fantasiando com entregas de viaturas e formaturas de policiais, que é uma cortina de fumaça que esconde a realidade e isso tudo acontece, enquanto a bandidagem cresce e mata o cidadão de bem. O referendo a ser votado no dia 23 de outubro, vai custar ao Brasil R$ 600.000.000 (Seiscentos milhões de reais), para fazer uma pergunta que já está respondida, e isso para esconder essa “bandalheira” que está acontecendo lá no Congresso. Você cidadão de bem, acompanhem bem a CPI lá em Brasília, a distribuição de recursos feitas por “seos Marcos Valérios da vida” na semana que antecedeu o dia 22 de dezembro de 2003, quando aconteceu a votação do Estatuto do Desarmamento. Neste dia, o “bando de safados” que na verdade está impingindo a população ao máximo que vai tirar sua própria cidadania e pra isso usou um artifício macabro. Então, não devemos dizer Não!! Não à corrupção, Não ao mensalão, não aos hipócritas de plantão que ficam aí apregoando teorias civilistas até próprias, mas que não resolvem absolutamente nada. Em meus 28 anos de serviço militar, já cansei de carregar alças de caixões de companheiros, vítimas de marginais como meu amigo soldado Santim, que foi morto no dia 13 de junho, por um marginal que usava uma arma ilegal. Importante frisar, que esse Estatuto do Desarmamento não mexeu na condição do menor que porta uma arma de fogo. Para o menor vai continuar sendo uma tranqüilidade. A Lei 8069 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que diz em seu artigo 121 que o menor não comete crime e sim um ato infracional. Sendo assim, ao menor não poderá ser imputado penas criminais. Porém, quando o menor pega uma arma clandestina na mão, ele sevicia, estupra, aterroriza e mata. Sendo assim quando você for votar nesse referendo, que você pense em todos os cidadão de bem nesse país e especialmente naqueles que tem como profissão defender a integridade da sociedade. Se essa Lei for votada e aprovada, não vamos mais poder comprar armas ou munição, principalmente quando passarmos para a inatividade. A propaganda maciça de hoje tenta enganar o cidadão dizendo, “olha, não é melhor uma sociedade sem armas??” É lógico que é!!! Mas é isso que será votado?? É claro que não, será votado mais um golpe na cidadania. Portanto, no dia 23, cada cidadão diga “Não”. E para divulgar a verdade sobre esses fatos, o cidadão de bem não terá dinheiro para mandar fazer cartilha bonitinha colorida, não pode pagar segurança, não pode pagar propaganda na Rede Globo e não tem carro blindado. Nós teremos que fazer essa propaganda “boca a boca”, andar por esse país e dizer basta... Não!!! Quem votou nesse estatuto, recebendo o “mensalão” terá o primeiro não da Sociedade no di 23 de outubro. Essa votação não pode esperar o ano que vem (2006) junto com a eleição de representantes (Presidente e Deputados) porque precisa jogar em cima disso uma “cortina de fumaça” e enganar o cidadão de bem. Só que se tivermos uma oportunidade, vamos dizer por esse país que não vamos cair nesse engodo, não vamos cair nas mentiras de quem só vota naquele Congresso, focado no que vai receber em sua conta bancária (mensalão). Dia 23, diga “Não” exatamente e muito obrigado!!!

O prefeito Ocimar Polli também deu seu parecer quanto ao Estatuto do Desarmamento e pronunciou perante os presentes: “O que é uma arma para você? É só um revólver, uma espingarda e um fuzil?? Ou também é uma faca, um estilete, uma foice ou até mesmo um cabo de machado ou picareta?? Enquanto o Governo tenta desarmar o cidadão de bem com essa nova Lei, a marginalidade cresce e está a cada dia mais bem forte e armada. Os marginais não estão nem um pouco preocupados com as diretrizes que deverão ser aplicadas pelo Estatuto do Desarmamento. Para acabar com o comércio de armas ilegais, em minha opinião, primeiro o Governo precisa dar mais segurança à população. Sou a favor do Desarmamento da seguinte forma, desarma o ladrão... defendendo o cidadão. O Estatuto irá proibir o comércio de armas em lojas e comércio, porém, na ilegalidade esse comércio certamente irá continuar. Volto a perguntar, como é que vai ficar esse comércio ilegal?? O Governo não vai fazer nada contra isso??”, declarou o prefeito.

Este ciclo de debates realizado pelo Conseg foi um dos mais produtivos e segundo a participação popular, de grande interesse. Fato falho dos organizadores do Conseg foi a entrega das cédulas de votação antes do término das três palestras previstas. As cédulas foram entregues exatamente após duas participações favoráveis ao Desarmamento (professor Roberto e Dr. Ari) fato este que acabou induzindo os presentes a votarem “sim” ao Desmamento. Outro fato negativo causado pela entrega antecipada das senhas durante as palestras, foi a interrupção da atenção da grande maioria ao evento, que deixaram os convidados falando enquanto recebiam, preenchiam e votavam.

Ao final da palestra foi realizada a contagem das cédulas, sendo constatada a vitória dos votos favoráveis ao Estatuto. Muitos dos presentes que votaram “sim”, mudaram de opinião após a convicta manifestação do Major Olímpio.

“Se eu soubesse da verdade dos fatos, muito bem explanados aqui pelo major Olímpio, eu jamais teria votado a favor do Desarmamento. O que todos imaginam, é que no dia 23 de outubro será votado o desarmamento da população, porém, vejo que não é bem isso que vai acontecer. Pena que aqui neste evento, votei antes de ouvir o último palestrante que em minha opinião, foi muito convincente e experiente no assunto, diante seus 28 anos de vida militar”, disse um dos presentes que votaram “sim” na simulação do referendo.

Para o presidente do Conseg, o Dr. Roque Serra, a entrega das cédulas durante a palestra foi uma falha da organização e não estava prevista.

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