Jornal de Brasília, Sexta-feira, 19 de Novembro de 2004

Deputado do DF protesta contra o desarmamento

Na contramão das iniciativas governamentais para a redução da violência no Brasil, o deputado federal Alberto Fraga (PTB-DF), lançou, nos últimos dias, uma campanha na qual incentiva a população a manter-se armada. Contrariando a Campanha do Desarmamento, lançada pelo governo federal, que já retirou mais de 165 mil armas de circulação em todo o País, o parlamentar afirma que a iniciativa não ajudou a reduzir a violência. "Cuidado! Se você entregar sua arma o bandido agradece", diz texto estampado em outdoors que estão espalhados em diversos pontos do Distrito Federal.

Segundo o parlamentar, a lei não ajuda a diminuir a violência e, ainda, deixa as pessoas "de bem" completamente desprotegidas. Para ele, sua campanha é legítima e não existem problemas com a mensagem divulgada nas ruas. "Não estou cometendo nenhum crime", diz, lembrando que está apenas exercendo seu direito constitucional de liberdade de expressão.

Segundo o delegado-chefe do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), coordenador da Campanha do Desarmamento, a ação do deputado tem o objetivo de influenciar no plebiscito que será realizado em outubro do próximo ano, no qual a população decidirá se o comércio de armamentos será ou não mantido no Brasil. "A PF recebe isso com um pouco de tristeza", afirma.

sucessoPara o delegado, a campanha foi um sucesso. Prova disso, afirma, é o apoio conseguido junto à população, que tem aderido de forma intensa à mobilização. Em relação à ação do deputado, Segóvia afirma que seu procedimento será verificado. "Ele tem direito de se pronunciar, mas vamos verificar o conteúdo de suas mensagens. Vamos buscar saber qual o motivo dessa campanha a favor do armamento”, afirma.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que participou ontem da Caravana do Desarmamento em João Pessoa (PB), não quis se pronunciar sobre a atitude do parlamentar. Desde o mês passado o ministro está visitando todas as capitais brasileiras com o objetivo de incentivar a população a aderir ao movimento.

exemplo Mas não é só no Brasil que a campanha tem reunido simpatizantes. A Argentina pretende copiar a Campanha do Desarmamento no Brasil. Técnicos do Ministério da Justiça do Brasil se reuniram no início do mês com representantes dos ministérios da Educação e do Interior argentinos para apresentar o modelo brasileiro.

O governo do país vizinho argentino pretende implementar um plano nacional de desarmamento nos moldes do brasileiro com o objetivo de reduzir os níveis de violência em seu território.

Segundo dados oficiais do governo argentino, mais de 66% dos homicídios cometidos no país ao longo do ano de 2002 foram realizados por disparos de armas de fogo. Em setembro deste ano, a Buenos Aires, capital do país, registrou uma média de 50 assaltos por dia.