Debate
do Diário lota auditório
Kléber
Werneck
Do Diário do Grande ABC
Quem estava em dúvida sobre o tema e compareceu
nesta segunda-feira ao debate "Desarmamento: Qual é a
sua opinião?", em São Caetano, certamente
deixou o evento propenso a se posicionar contrário
a medida que proíbe o comércio de armas
no país. A desenvoltura do deputado federal Luiz
Antônio Fleury Filho (PTB), da bancada da bala,
contrastou com a insegurança e o nervosismo do
colega Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), que opinou em favor
da medida, no evento do Diário em parceria com
o Imes (Universidade de São Caetano), que aconteceu
no campus 2 da instituição.
A discussão e a polêmica em torno do tema
despertaram grande interesse entre universitários
e outros convidados. O auditório da universidade
ficou lotado e algumas pessoas tiveram que se acomodar
nos corredores. Do lado de fora, um telão também
exibiu o encontro para os jovens que não conseguiram
lugar.
Além dos dois protagonistas, participaram da
mesa a jornalista Paula Fontenelle, diretora de redação
do Diário e mediadora do evento, e o anfitrião
da noite, o reitor do Imes, Laercio Baptista da Silva.
As gentilezas entre Fleury e Greenhalgh se limitaram
ao boa noite.
Primeiro os
deputados tiveram 15 minutos para expor seus pontos
de vista. Logo no início, Fleury tentou
desqualificar a importância do referendo. O ex-governador
criticou o investimento que será feito e disse
que a violência não diminuirá mesmo
que o desarmamento vença. "Serão R$
300 milhões para responder esta pergunta, que
não vai influenciar em nada", afirmou.
Greenhalgh
rebateu lembrando que pela primeira vez a população será consultada para tomada
de uma decisão, como prevê a Constituição.
Ele também contestou o valor de R$ 300 milhões
declarados por Fleury, alegando, sem muita certeza, que
serão R$ 100 milhões. "Pela primeira
vez poderemos nos manifestar, será um voto consciente",
disse.
Sobre a questão central, Fleury argumentou: "Eu
defendo o direito do cidadão de bem de ter uma
arma em casa para se defender enquanto a polícia
não chega". Já Greenhalgh tentou,
principalmente, desmistificar o slogan do movimento oposto
– de que as armas ficarão nas mãos dos
bandidos com a nova medida. "Isso é um mito
criado. Eu acredito no lema: "Mais armas, mais crimes,
mais violência. Menos armas, menos crimes, menos
violência".
Os dois lados
também apresentaram números
e dados estatísticos, mas sem citar as fontes
de informação. Mas, foi na oratória
o diferencial em favor de Fleury. As piadas, intercaladas
com sátiras, desconcertaram o oponente. Em uma
delas, ele rebateu uma comparação feita
por Greenhalgh que a venda de armas seria mais controlada,
como acontece com os remédios. "Como vai
ser esta venda de armas faixa preta?", ironizou.
Deboches embalados pela platéia, que apesar de
dividida em relação ao tema, foi mais calorosa
com o defensor do comércio de armas. A causa defendida
pelo petista conta com o apoio da mídia.
Fotos: Diogo Waki



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