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Sexta-Feira 28 de Janeiro de 2005. 21:40 h.

CANAIS :: Opinião

Desarmamento da população abriu caminho para o crime

A sucessão de assaltos a agências bancárias de Mato Grosso revela que depois que a população ficou desarmada, os marginais estão mais à vontade para agir. Para desespero dos mato-grossenses, a cada dia os marginais tornam-se mais ousados, conforme mostram suas ações no mundo do crime.
Os bancos do interior têm sido os alvos preferidos pelos especialistas nesse tipo de crime. Até porque, a falta de policiamento nas sedes dos municípios mais distantes da capital facilita as investidas dos marginais.

Antes da população se desarmar, os marginais que estão infernizando o interior não eram tão abusados, porque sabiam que os moradores podiam reagir e enfrentá-los, como já aconteceu algumas vezes. Agora é diferente: eles praticam seus crimes na maior tranqüilidade, pois têm consciência que não correm riscos, a não ser quando se defrontam com a polícia.

A repetição de tantos assaltos a bancos mostra que as autoridades policiais precisam fazer alguma coisa, com urgência, para conter a bandidagem que invadiu Mato Grosso e tem levado pânico aos municípios mais distantes da capital. É claro que a solução do problema não é fácil, pois tanto a Polícia Militar como a Civil não têm efetivos suficientes para proporcionar maior segurança à população, principalmente a que vive no interior.

O problema de roubos a agências bancárias não afeta só Mato Grosso, é verdade. Mas aqui a situação está atingindo proporções graves, por causa dos riscos a que a população está sendo exposta. Se os marginais levassem apenas o dinheiro, tudo bem, porque os bancos têm seguro e não perdem. Mas e as vidas que estão em jogo?

Na realidade, já tem muita gente refletindo se valeu a pena se livrar das armas de fogo que tinha em casa, com a adesão à campanha de combate à violência. Quando não estava desarmado, se o cidadão percebesse um barulho estranho no quintal ou dentro de casa, podia empunhar um revólver, uma garrucha, uma pistola, uma espingarda e ir ver o que estava acontecendo para a eventualidade de defender seu patrimônio ou até mesmo sua família.

Hoje, sem uma arma de fogo para enfrentar ou pelo menos afugentar os marginais que invadem sua casa ou barraco, o cidadão finge que não está ouvindo nada e deixa os bandidos agirem à vontade para não expor sua vida e a de seus familiares.

Além do aumento de assaltos a bancos, é de assustar, conforme a imprensa registra diariamente, o número de roubos a moradias de todos os níveis na Grande Cuiabá e no interior. Também, com a bandidagem tão à vontade do jeito que anda...