Ontem,
mesmo dia em que foi registrada, a frente parlamentar
Pelo Direito à Legítima Defesa -contrária à proibição
da venda de armas de fogo no referendo de 23 de outubro-
rachou. A disputa perdida pela presidência, que
ficou com o deputado Alberto Fraga (PFL-DF), levou
o deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP)
a solicitar seu desligamento do grupo.
A frente foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
pelo deputado Fraga, que, dizendo contar com o apoio
dos outros parlamentares que a compõe, assumiu
a presidência. Fleury, que também disputava
o cargo, foi colocado como primeiro vice-presidente
do grupo. Ao saber do ocorrido, no entanto, afirmou
que pediria seu desligamento da frente. Disse, também,
que não terá participação
na campanha.
Fraga afirmou que irá procurar, agora, apoio
de entidades da sociedade civil e aguardar a regulamentação
da propaganda por parte do TSE. "Espero que seja
uma disputa menos política e mais técnica,
na base da argumentação", disse.
Ontem, também foi registrada a frente Brasil
sem Armas, com o presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), na presidência. O deputado Raul Jungmann
(PPS-PE), secretário-geral do grupo, disse que
a frente irá colocar as prestações
de contas da campanha na internet. A iniciativa foi
considerada positiva por Fraga, que, no entanto, não
confirmou que sua frente fará o mesmo.
A partir de 1º de agosto, terá início
as campanhas publicitárias pagas pelas frentes.
A campanha gratuita terá início apenas
em 23 de setembro, um mês antes da data marcada
para o referendo.
A regulamentação da propaganda deve ser
aprovada apenas nos próximos dias pelo presidente
do TSE, Carlos Velloso. O texto, que ainda deverá ser
aprovado pelos demais ministros do tribunal, definirá,
por exemplo, o tempo de propaganda gratuita a que as
duas frentes parlamentares terão direito e a
forma de financiamento que as campanhas terão,
inclusive com a participação de empresas
privadas.
Segundo Jungmann, a idéia da frente favorável à proibição
da venda de armas é definir uma linha de argumentação
e uma "identidade visual e simbólica",
a partir das quais serão realizados as propagandas
e os programas.
Já o deputado Fraga, contrário à proibição,
disse que a principal preocupação do
seu grupo é garantir o "equilíbrio" em órgãos
da imprensa. "Não podemos aceitar, por
exemplo, a veiculação das vinhetas de
emissoras favoráveis ao desarmamento. O TSE
precisa normatizar isso."
Último dia
Amanhã será o último dia para
que os eleitores regularizem sua situação
perante o TSE com vistas ao referendo. Hoje e amanhã os
cartórios eleitorais da capital paulista funcionarão
das 9h às 18h.
Devem ser feitos os requerimentos de inscrição
eleitoral ou transferência de domicílio.
Também é o prazo final para que os eleitores
que mudaram de residência, dentro de um mesmo
município, peçam alteração
no seu título e para que eleitores portadores
de deficiências físicas peçam transferência
para zonas eleitorais com condições de
atendê-los. (VICTOR RAMOS)