São Paulo, sexta-feira, 18 de março de
2005
DESARMAMENTO
Deputado defende ainda mudanças nas perguntas
que serão feitas na consulta popular; governistas
são contra
Relator quer adiar plebiscito sobre armas
FÁBIO
ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O relator do projeto que institui o referendo sobre
a comercialização de armas de fogo, deputado
Coronel Alves (PL-AP), quer incluir em seu parecer a
realização de duas perguntas na consulta
popular, marcada para 2 de outubro. Uma sobre o apoio à pena
de morte e outra sobre a redução da maioridade
penal para 16 anos.
Alves, coronel da PM do Amapá que se diz pessoalmente
contrário à proibição da
venda de armas, defende ainda a postergação
do plebiscito para o ano que vem, para coincidir com
a eleição para presidente, governadores
e parlamentares federais e estaduais.
O projeto que institui o plebiscito é um subproduto
do Estatuto do Desarmamento, aprovado pelo Senado em
2004, que restringiu o porte de armas no país.
O deputado quer também modificar a pergunta que
constará da cédula, para deixar mais claro
que há exceções à proibição
de venda de armas previstas na lei, como para forças
de segurança públicas e privadas e praticantes
de esportes de tiro.
"
Essas mudanças todas estarão no relatório,
mas ainda estamos estudando as possibilidades jurídicas.
Não seria melhor ter mais tempo para discutir
o tema, fazer a consulta em 2006?"
Tantas alterações fariam o projeto de decreto
legislativo em tramitação na Câmara
retornar ao Senado, dificultando em muito sua aprovação
em tempo hábil.
Interino
Alves é o relator na Comissão de Segurança
da Câmara. Ele está licenciado até semana
que vem, quando deve apresentar seu parecer. Anteontem,
o deputado que está interinamente na relatoria,
Wanderval Santos (PL-SP), apresentou um parecer paralelo,
que defende que a pergunta do referendo faça uma
referência à proibição de
venda para "a defesa de pessoas de bem".
Não está claro ainda se o relatório
de Santos será incluído no que Alves fará.
Defensores da aprovação do projeto como
veio do Senado, em que se incluem os petistas, vêem
nas propostas de Alves e Santos uma "intenção
manipuladora".
"
Incluir novas perguntas tiraria a razão principal
de ser do plebiscito proposto pelo Estatuto do Desarmamento.
Haveria uma diluição do seu objeto principal.
Acho que o objetivo é inviabilizar a consulta",
afirmou o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que
foi o relator do projeto que deu origem ao Estatuto do
Desarmamento.
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