SEGURANÇA
PM recuperou com bandidos
em Santos armamento dado na Campanha do Desarmamento;
caso é "isolado",
diz governo
PF perde armas entregues pela população
Erico
Hiller/Divulgação

Manifestantes
formam 3.234 -equivalente à queda
de mortes com a campanha do desarmamento
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DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL
DE BRASÍLIA
Pelo menos
11 armas entregues pela população
na Campanha do Desarmamento foram apreendidas pela Polícia
Militar nas mãos de criminosos na cidade de Santos
(litoral sul de São Paulo).
As armas foram desviadas da sede da Polícia Federal
do município, que abriu um inquérito para
investigar o caso.
O secretário-executivo do Ministério da
Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto, chamou ontem
o caso de "fato isolado". "Acho que esse
fato é isolado e de nenhuma maneira atrapalha
a campanha, que é tão bem desenvolvida.
Já foram recolhidas mais de 443 mil armas, que
estão em total segurança e vêm sendo
destruídas", afirmou o secretário,
durante o lançamento de um estudo da Unesco sobre
mortes por armas de fogo.
As informações sobre o número total
de armas desviadas, no entanto, são desencontradas.
Até agora, de acordo com o delegado da PF José Roberto
Sagrado da Hora, existe a confirmação de
que apenas uma arma doada acabou sendo desviada. Uma
pessoa foi indiciada pelo crime e chegou a ficar detida
por dez dias, mas já está em liberdade.
O delegado contou que o desvio foi descoberto depois
de a Polícia Militar prender um rapaz, no dia
6 de junho, com um revólver que deveria estar
apreendido.
"
Imediatamente fizemos um levantamento e descobrimos 83
incongruências, falhas administrativas no registro
das armas entregues durante a campanha. Então,
encaminhamos ofícios à PM e ao Exército
informando sobre o fato. Isso não significa que
83 armas foram desviadas", afirmou.
O delegado explicou que, quando uma arma é entregue à PF,
ela passa por três setores administrativos, que
a registram, antes de ser enviada ao quartel do Exército.
"
Entre as 83 falhas, descobrimos armas que não
haviam sido registradas em um setor da PF, mas que tinham
o registro de entrada no Exército. Por isso, estamos
investigando o que realmente aconteceu", afirmou.
Segundo a Polícia Militar, as 11 armas desviadas
da Campanha do Desarmamento foram encontradas entre dezembro
de 2004 e fevereiro de 2005. Em nota, a Secretaria da
Segurança Pública de São Paulo afirmou
que "comunicou a apreensão das armas ao ministro
da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ao Comando
Sudeste do Exército e ao Ministério Público".
O delegado da PF, porém, afirmou que não
recebeu qualquer tipo de notificação. "O
que há confirmado até agora é o
desvio de uma arma. É claro que a investigação
está em andamento e outros fatos podem acontecer."
Prazo
para perícia
O secretário-executivo do Ministério da
Justiça explicou que as armas recolhidas na campanha
são destruídas, mas há um prazo
para que seja feita perícia e montada a logística
para a destruição.
Em caso de transporte das armas, há também
uma parceria com o Exército. "Estamos intensificando
o recolhimento das armas, inclusive das mãos de
bandidos", disse Teles Barreto.
Segundo o secretário, para tentar evitar a entrada
de armas ilegais, o Brasil vai propor, na próxima
reunião de ministros da Justiça do Mercosul,
que os países vizinhos adotem campanhas de desarmamento. "Podemos
propor até mesmo a proibição de
venda nos limites da fronteira."
Além do inquérito, a PF abriu uma sindicância
interna para apurar o caso. Suspeita-se que haja o envolvimento
de vigilantes terceirizados no desvio. A polícia
está analisando todos os registros das armas entregues
em Santos.
Para o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein,
que participou da divulgação da pesquisa,
o desvio é "estatisticamente insignificante". "Numa
campanha em que se retira 430 mil armas, haver um caso
de 80 é estatisticamente insignificante." |