
São Paulo, sábado, 08 de julho de 2005
DESARMAMENTO
Partidários poderão receber doações
para custear propaganda; horário gratuito terá início
em 23 de setembro
Campanha do referendo começa em agosto
Adriano Machado/ Folha Imagem
Severino
Cavalcanti (primeiro à esq.), Renan Calheiros
(centro) e o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça)
promulgam a consulta
LUIZ FRANCISCO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BRASÍLIA
A campanha publicitária para o referendo sobre
o fim da venda de armas de fogo no Brasil, custeada pelos
partidários de uma das posições,
começa a partir do próximo mês. Já a
campanha gratuita do referendo terá início
no dia 23 de setembro -um mês antes da votação-,
no rádio e na televisão, e termina em 20
de outubro.
Aprovado anteontem pela Câmara dos Deputados, o
referendo será realizado no dia 23 de outubro,
um domingo, em todos os municípios brasileiros.
Pela legislação, o tempo gratuito no rádio
e na televisão será igual para as duas
partes interessadas no referendo. Serão 15 minutos
diários, contínuos ou não. A propaganda
paga poderá ser feita em qualquer mídia.
O tempo de duração ainda será definido.
O voto é obrigatório para as pessoas que
têm entre 18 e 70 anos e facultativo para quem
tem entre 16 e 18 anos incompletos, desde que o cadastramento
seja realizado até o próximo dia 23.
"
A partir da próxima semana vamos veicular no rádio
e na televisão uma campanha institucional explicando
os prazos e convocando os eleitores à realização
do referendo", disse o ministro do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) Luiz Carlos Madeira.
De acordo com Madeira, relator das instruções
do referendo, o TSE tem uma verba de R$ 270 milhões
para empregar na votação. Madeira disse
que somente as frentes partidárias favoráveis
ou contrárias à comercialização
das armas poderão participar da propaganda eleitoral
gratuita. "As organizações da sociedade
civil interessadas no debate devem procurar as frentes
parlamentares."
O processo de votação é o mesmo
das últimas eleições municipais,
realizadas no ano passado. Os eleitores deverão
procurar as suas zonas eleitorais [que constam nos títulos]
e responder sim ou não à pergunta: "O
comércio de armas de fogo e munição
deve ser proibido no Brasil?"
Caso a proibição seja aprovada na consulta
popular, a aquisição de armas e munição
não poderá mais ocorrer, salvo para casos
como de integrantes das Forças Armadas e guardas
municipais.
Doações
Madeira, do TSE, disse que as frentes parlamentares poderão
receber doações para as campanhas. "Não
há limite para as doações. Empresas
que fabricam e comercializam armas, se quiserem, podem
doar." Para o ministro, o TSE poderá intervir
na campanha para evitar eventuais abusos. "Vamos
coibir todos os abusos com rigor, punindo os seus responsáveis."
Madeira sugeriu que as prestações de contas
sejam colocadas na internet, inclusive com os seus financiadores. "Queremos
que as duas frentes mostrem para a sociedade toda a lisura
do pleito."
O decreto legislativo que institui o referendo foi discutido
por quase um ano na Câmara e promulgado ontem em
cerimônia no Congresso com participação
do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e
da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE).
Segundo o TSE, além de recadastrar novos eleitores,
o referendo terá outra função: a
entrega de novos títulos eleitorais, com fotografias
e outros dados, em quatro Estados: Minas Gerais, Maranhão,
Tocantins e Mato Grosso.
Pela legislação, quem não votar
tem um prazo de 60 dias -a contar da data de votação-
para apresentar justificativa ao juiz eleitoral. Depois
do prazo, o eleitor paga uma multa de R$ 1,06.
"
O cadastramento nos Tribunais Regionais Eleitorais para
as próximas eleições é permanente.
O prazo de 23 de julho é apenas para quem vai
votar no referendo", disse Madeira.
Em nota, o escritório da Unesco (Organização
das Nações Unidas para a Educação,
a Ciência e a Cultura no Brasil), que é favorável
ao desarmamento, defendeu uma campanha de esclarecimento
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