Semanário - 02 a 08/01/2005 (Edição 304) Maceió-AL
http://www.extralagoas.com.br/?e=00176&n=3726

Política
Renan maquia números da campanha de desarmamento

Além do sentimento de impunidade entre os marginais, campanha gerou a certeza de que não haverá nenhum tipo de reação da vítima

DA REDAÇÃO


Ao contrário do que vem afirmando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o Estatuto do Desarmamento, que completa um ano neste dia 23 de dezembro, não está reduzindo a criminalidade no País. Pior, está despertando um sentimento de maior audácia entre os marginais que se sentem cada vez menos ameaçados e agem com maior ousadia. Estados como Rio de Janeiro e Paraná são exemplos mais claros de que se trata, no mínimo, de uma campanha inócua.

Para justificar suas afirmações, o senador cita dados sobre a queda no número de homicídios em São Paulo, como se esse fato fosse oriundo da campanha. Mas com uma análise real dos fatos vê-se que na verdade a redução da criminalidade em SP deve-se às ações que a Secretaria de Segurança, com as polícias Civil e Militar vem realizando em policiamento ostensivo em regiões de maiores ações de criminosos - e não pela entrega de armas de cidadãos de bem.
Pelos dados da Secretaria, pode-se ver que a queda na criminalidade já vem ocorrendo muito antes do Estatuto e efetivamente da campa-nha de desarmamento:

O Rio de Janeiro e Paraná são exemplos de que a campanha não vem reduzindo, nem mesmo contendo a criminalidade. O jornal O Globo de 9 de dezembro noticiou que “o número de roubos em ônibus aumentou 151% no RJ, comparando-se os registros de outubro deste ano com os do mesmo mês em 2003, segundo o Boletim Mensal de Monitoramento e Análise divulgado pelo Instituto de Segurança Pública”. Foram 635 casos de roubos em ônibus registrados em outubro contra 253 no mesmo mês do ano passado, o que representa 382 casos a mais.

“De acordo com a estatística apresentada pelo Instituto de Segurança Pública, seis dos dez tipos de crimes destacados no boletim tive-ram aumento de casos e os assaltos a transeuntes bateram novo recorde. Em setembro deste ano foram 2.059 casos, até então o maior número já registrado desde 1991. Em outubro, o volume de re-gistros subiu para 2.268 (10,15% a mais). Em comparação com outubro de 2003, o crescimento foi de 55,7%”, diz a matéria.

Comparando-se os meses de outubro dos dois últimos anos, também tiveram crescimento homicídio doloso, com 6,7% ou 33 casos a mais (522 contra 489); extorsão mediante seqüestro, com um caso registrado este ano; roubo e furto de veículos, 3,2% ou 137 casos a mais (4.391 contra 4.254); e assalto a banco, com seis casos este ano.

Os casos de assalto a transeunte aumentaram 18,2%. Foram 2.700 registros a mais (17.556 contra 14.856). Os casos de latrocínio aumentaram 3,2%: foram cinco a mais (160 em outubro deste ano).

No Paraná os crimes contra a pessoa aumentaram durante os nove primeiros meses de 2004 em relação ao mesmo período do ano passado. O número de homicídios dolosos cresceu 8,17%, enquanto o de extorsões mediante seqüestro subiu 414% (de 8 para 54 casos). Três modalidades de infrações contra o patrimônio também tiveram acréscimo - roubo de carga (44,9%), roubo de veículos (38,38%) e roubo a banco (2,08%).

Segundo o presidente do Movimento Viva Brasil, professor Bene Barbosa, de “inócua”, a campanha de desarmamento passou a ser “perigosa”. Isso porque, “além do sentimento de impunidade que há entre os marginais, a campanha tem gerado a certeza de que não haverá nenhum tipo de reação da vítima que iniba a ação dos criminosos”.

O senador Renan Calheiros costuma salientar que a campanha do desarmamento já recolheu mais de 200 mil armas em todo o país. Porém, esse número equivale a menos de 0,1% das cerca de 20 milhões de armar existentes no País. “Os números da campanha não são nada aminadores”, completa Barbosa.


Alagoas

Em Alagoas a violência também está longe de ser reduzida. O governo ainda não divulgou os números oficiais, mas o Extra contabilizou um total de 501 homicídios praticados com arma de fogo de janeiro a dezembro. Esse número é cerca de 20% menor que o registrado em 2003, no entanto, o índice de assaltos a mão armada praticamente triplicou em relação ao ano passado, apesar de o Estdo ter recolhido 3.800 armas até dia 27 de dezembro. A contabilidade da violência ainda não foi divulgada, mas diariamente a Delegacia de Roubos e Furtos registra uma média de 30 casos de assalto em Maceió.