
Política
Renan maquia números da campanha de desarmamento Além do sentimento de impunidade entre os marginais,
campanha gerou a certeza de que não haverá nenhum
tipo de reação da vítima
DA REDAÇÃO
Ao contrário do que vem afirmando o senador Renan
Calheiros (PMDB-AL), o Estatuto do Desarmamento, que
completa um ano neste dia 23 de dezembro, não
está reduzindo a criminalidade no País.
Pior, está despertando um sentimento de maior
audácia entre os marginais que se sentem cada
vez menos ameaçados e agem com maior ousadia.
Estados como Rio de Janeiro e Paraná são
exemplos mais claros de que se trata, no mínimo,
de uma campanha inócua.
Para justificar
suas afirmações, o senador
cita dados sobre a queda no número de homicídios
em São Paulo, como se esse fato fosse oriundo
da campanha. Mas com uma análise real dos fatos
vê-se que na verdade a redução da
criminalidade em SP deve-se às ações
que a Secretaria de Segurança, com as polícias
Civil e Militar vem realizando em policiamento ostensivo
em regiões de maiores ações de criminosos
- e não pela entrega de armas de cidadãos
de bem.
Pelos dados da Secretaria, pode-se ver que a queda na
criminalidade já vem ocorrendo muito antes do
Estatuto e efetivamente da campa-nha de desarmamento:
O Rio de Janeiro
e Paraná são exemplos
de que a campanha não vem reduzindo, nem mesmo
contendo a criminalidade. O jornal O Globo de 9 de dezembro
noticiou que “o número de roubos em ônibus
aumentou 151% no RJ, comparando-se os registros de outubro
deste ano com os do mesmo mês em 2003, segundo
o Boletim Mensal de Monitoramento e Análise divulgado
pelo Instituto de Segurança Pública”. Foram
635 casos de roubos em ônibus registrados em outubro
contra 253 no mesmo mês do ano passado, o que representa
382 casos a mais.
“De acordo
com a estatística apresentada pelo
Instituto de Segurança Pública, seis dos
dez tipos de crimes destacados no boletim tive-ram aumento
de casos e os assaltos a transeuntes bateram novo recorde.
Em setembro deste ano foram 2.059 casos, até então
o maior número já registrado desde 1991.
Em outubro, o volume de re-gistros subiu para 2.268 (10,15%
a mais). Em comparação com outubro de 2003,
o crescimento foi de 55,7%”, diz a matéria.
Comparando-se
os meses de outubro dos dois últimos
anos, também tiveram crescimento homicídio
doloso, com 6,7% ou 33 casos a mais (522 contra 489);
extorsão mediante seqüestro, com um caso
registrado este ano; roubo e furto de veículos,
3,2% ou 137 casos a mais (4.391 contra 4.254); e assalto
a banco, com seis casos este ano.
Os casos de
assalto a transeunte aumentaram 18,2%. Foram 2.700
registros a mais (17.556 contra 14.856). Os casos
de latrocínio aumentaram 3,2%: foram cinco a mais
(160 em outubro deste ano).
No Paraná os crimes contra a pessoa aumentaram
durante os nove primeiros meses de 2004 em relação
ao mesmo período do ano passado. O número
de homicídios dolosos cresceu 8,17%, enquanto
o de extorsões mediante seqüestro subiu 414%
(de 8 para 54 casos). Três modalidades de infrações
contra o patrimônio também tiveram acréscimo
- roubo de carga (44,9%), roubo de veículos (38,38%)
e roubo a banco (2,08%).
Segundo o
presidente do Movimento Viva Brasil, professor Bene
Barbosa, de “inócua”, a campanha de desarmamento
passou a ser “perigosa”. Isso porque, “além do
sentimento de impunidade que há entre os marginais,
a campanha tem gerado a certeza de que não haverá nenhum
tipo de reação da vítima que iniba
a ação dos criminosos”.
O senador
Renan Calheiros costuma salientar que a campanha do
desarmamento já recolheu mais de 200 mil armas
em todo o país. Porém, esse número
equivale a menos de 0,1% das cerca de 20 milhões
de armar existentes no País. “Os números
da campanha não são nada aminadores”, completa
Barbosa.
Alagoas
Em Alagoas
a violência também está longe
de ser reduzida. O governo ainda não divulgou
os números oficiais, mas o Extra contabilizou
um total de 501 homicídios praticados com arma
de fogo de janeiro a dezembro. Esse número é cerca
de 20% menor que o registrado em 2003, no entanto, o índice
de assaltos a mão armada praticamente triplicou
em relação ao ano passado, apesar de o
Estdo ter recolhido 3.800 armas até dia 27 de
dezembro. A contabilidade da violência ainda não
foi divulgada, mas diariamente a Delegacia de Roubos
e Furtos registra uma média de 30 casos de assalto
em Maceió.
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