NACIONAL - O ESTADO DE
S.PAULO
Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2004
Governo é 'sofrível',
diz presidente da OAB
Mariângela
Gallucci
BRASÍLIA - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
Roberto Busato, e dirigentes das seccionais estaduais da entidade avaliaram
que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é "sofrível" e
um "carbono" da administração Fernando Henrique Cardoso.
A avaliação sobre o governo Lula foi feita por todas as seccionais
da OAB, a pedido da direção nacional do órgão.
Para Busato, ao elegerem um ex-metalúrgico com a história de
Lula como presidente, os brasileiros demonstraram o desejo por um novo modelo
político, em especial na área social. "Esse governo não
conseguiu, ainda, traduzir em realidade qualquer um desses anseios da população",
afirmou. Segundo ele, o termômetro para essa insatisfação
dos eleitores foi a eleição municipal.
O
presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio
Borges D'Urso, criticou também o abuso das medidas
provisórias. Segundo ele, em média são
editadas mais de cinco MPs por mês, o que supera
governos passados. "Além de usurpar a competência
legislativa dos parlamentares, as medidas provisórias
contribuem para adensar o cipoal legislativo em que
o Brasil está imerso. Com um ordenamento jurídico
em continuada mutação, fica quase impossível
acompanhar as mudanças", afirmou.
A
presidente da OAB do Distrito Federal, Estefânia
Viveiros, observou que o desempenho da economia tem
atendido e superado o que esperam os credores externos. "Mas
internamente é outra coisa. Para o público
que fala português o que tivemos, até agora,
foi muita promessa, o que é lamentável.
Temos, claro, consciência da necessidade de o
Brasil crescer no mercado externo, de se firmar como
uma economia cada vez mais competitiva, mas não
podemos esperar uma eternidade para que se faça
alguma coisa e tenhamos um País mais seguro
e confiante", disse.
Para
o presidente da OAB do Rio de Janeiro, Octávio
Gomes, "parece que o PSDB continua comandando
o País". "Não posso aceitar
a justificativa de que o prazo é pequeno, que
dirigir o País é muito complexo. Não
aceito porque Lula já conhecia as mazelas brasileiras
há muito tempo. O PT já estudava as questões
sociais. Dois anos é um prazo até longo
para quem tinha todo esse conhecimento. Infelizmente,
estamos na mesma estrada. O índice de desemprego
continua alto, o País não avançou,
a divisão de renda tem um abismo enorme. Essa é a
grande verdade", disse.
Para
o presidente da OAB do Pará, Ophir Filgueiras
Cavalcante Júnior, faltam investimentos na reforma
agrária. "Hoje, essa reforma é apenas
um arremedo. Temos apenas números de assentamentos,
mas não uma reforma agrária que coloque
o homem no campo e proporcione condições
para que ele fique lá", afirmou.
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