ALIÁS - O ESTADO DE S.PAULO

Domingo, 30 de Janeiro de 2005

"A supressão do direito de todos possuírem uma arma só tem respaldo na alma dos imaturos"


Frederico Carneiro Monteiro


RIO DE JANEIRO - São incontáveis os equívocos históricos e filosóficos contidos numa ação de desarmamento civil generalizada, como está se concretizando no Brasil, especialmente quando seguida de um superarmamento dos agentes do Estado, sem controle ou contenção, embasado simplesmente no desespero diante da realidade. Fala-se em impunidade, como se tal coisa fosse um ente independente, e não resultado da própria inépcia e inércia do Estado. Mas o pior do raciocínio desarmamentista é a intenção de retirar direitos fundamentando-se na "possibilidade de", e não como retribuição à uma ação individual nociva, pilar do verdadeiro estado de direito, sustentando assim a própria democracia. A supressão do direito de todos de possuírem armas, pois "poderá o cidadão atirar no trânsito", "poderá o cidadão deixar que o seu filho sofra um acidente com a arma", "poderá o cidadão perder sua arma para o bandido", só tem penetração e respaldo na alma dos imaturos e daqueles que têm em si arraigada a ditadura como modelo, pois as ditaduras e suas "censuras" nascem exatamente de tal raiz, espraiando-se para todos os segmentos da vida de uma nação como uma praga maldita. Portanto, despertarmos para isso é um dever, já que a busca pela paz nunca passou pela aceitação desse tipo de discurso. Muito ao contrário. É aí que reside justamente o berço da injustiça primordial, que levará ao acirramento da miséria humana e espiritual que hoje predomina no País. Abrir os olhos sobre quem vai deter o monopólio das armas de fogo deveria ser uma discussão que obrigatoriamente antecederia a retirada da posse das mesmas livremente pela sociedade. Ou então será o embarque irresponsável num obscuro caminho sem volta com um pendor para qualquer coisa - menos a convivência pacífica com ampla e plena liberdade.


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