Alias-
O ESTADO DE S.PAULO
(OESP caderno Alias dia 21.11.04 pg. 4)
Ministro da Justiça afirma: “A campanha é para
pegar arma de homem de bem”
A campanha do desarmamento deu certo?
No
começo havia aquela pergunta clássica das pessoas:
será que os bandidos vão entregar as armas?
A
pergunta do sujeito que é contra, é o velho discurso.
A campanha é para pegar arma de homem de bem. Arma
de bandido tem que ser tomada de outro jeito, com as
reformas da polícia.
Recebendo
essas armas dos homens de bem você diminui o número
de homicídios. É uma coisa já medida em algumas cidades,
como no Paraná. Em Londrina e em Maringá, houve uma
redução de até 35% desse tipo de crime. Diminui a briga
de trânsito, a briga de marido e mulher.
Como
tem o revólver, em vez de reconciliar, no auge da briga
o cara dá um tiro. Em Fortaleza, uma
mulher ficou paraplégica. Eu fiquei muito chocado,
comovido. Ela contou que estava fazendo as pazes com
o marido, mas havia um revólver no criado-mudo e ele
atirou.
O senhor percorreu 22 Estados. Valeu a pena?
Ganhamos
o Prêmio Unesco 2004 na categoria Direitos Humanos
e Cultura da Paz. Estamos exportando o modelo para
a Argentina. É uma coisa que o Brasil está fazendo
de bom. É fantástico como a sociedade está se mobilizando
para se desarmar. Quem tem dado apoio muito grande
são os
secretários municipais de saúde. Eles lidam com o Sistema Único
de Saúde (SUS). Temos tido
uma demonstração muito clara do custo da violência.
Com
uma bala de revólver você manda um sujeito para a UTI.
Ele fica lá durante 40, 50, 60
dias, gastando R$ 500 ou R$ 1 mil por dia do SUS, fora
todas as tragédias.
Qual é a meta?
Agente
tinha uma meta de recolher 80 mil armas até 23 de dezembro,
que é o prazo da lei. Já recolhemos
165 mil. Então, subimos nossa meta para 200 mil e até ouso
mirar em 250 mil. Estamos pensando
numa medida provisória para prorrogar por seis meses
esse prazo, para aí chegar a recolher 400 mil armas. Estamos
montando em cada Estado um comitê para o desarmamento,
para fermentar esse negócio. É uma bela campanha. É a
cultura de paz no Brasil.
As
pessoas não gostam de ir à delegacia, então a gente
está fazendo postos de arrecadação em
outros lugares, na igreja, na OAB, nas emissoras de
rádio. No ano que vem tem plebiscito para
saber se o povo quer ou não proibir a comercialização
de armas de fogo
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