METRÓPOLE -
O ESTADO DE S.PAULO
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Quinta-feira, 18 de Novembro de 2004
O ferro do revólver virou escorregador na praça
Brinquedos foram feitos com armas entregues em campanha
Luciana
Garbin
O
ferro de armas recolhidas na Campanha do Desarmamento
está virando brinquedos para crianças.
Os primeiros serão inaugurados sábado
na Praça Nilo Coelho, em Sapopemba, um dos bairros
mais violentos da zona leste de São Paulo. O
local - antigamente um lixão clandestino que
foi recuperado pela Prefeitura - ganhou gangorra, balanços
e escorregador com design especial, que parecem ter
asas da paz, tubos como raios de sol e muita cor.
"
Essa ação é muito importante pois
mostra um dos principais significados da Campanha do
Desarmamento: a implementação de uma cultura
de paz no País", diz o ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, que vai cortar a fita de
inauguração com o ministro Gilberto Gil
no sábado, na presença de outras autoridades. A
festa, marcada para começar às 10h30,
terá ainda apresentação do Quinteto
de Metais da Orquestra Sinfonia Cultura e dos garotos
do Arrasta Lata, grupo musical do Projeto Arrastão,
sob regência do maestro Júlio Medaglia,
além de um show com a dupla Caju e Castanha. Tem
patrocínio da TIM, BM&F e Pão de Açúcar
e foi pensada para mostrar que dá para transformar
algo que mata em coisas que dão vida e alegria.
Para
virar brinquedo, as armas seguem longo caminho. Depois
de
entregues pela população na Polícia
Federal vão parar no Exército, que as cataloga
e as transporta para uma siderúrgica em Osasco.
Lá, são derretidas a 1.500 graus e transformadas
em lingotes, que viram chapas de aço em outra
siderúrgica, em São Joaquim da Barra, antes
de seguirem para Campinas, onde são cortadas em
tiras, das quais se fazem tubos metálicos. São
eles, que, em outra empresa, já em Itu, acabam
dando origem aos brinquedos. Além de São
Paulo, há planos de instalá-los em mais
capitais ou ceder material do desarmamento a escultores.
Desde
15 de julho, data de início da campanha,
já foram apreendidas mais de 170 mil armas no
País. São Paulo lidera o ranking em números
absolutos - até anteontem, foram 48.333 armas.
Mas, proporcionalmente, o campeão é Sergipe.
Bastos lembra que o objetivo da campanha não é desarmar
o bandido, o que é papel da polícia, mas
o cidadão de bem, para evitar tragédias
por discussões fúteis, brigas de família,
no trânsito, em bares.
Prevista
para terminar em 23 de dezembro, pode ser prorrogado
por
mais seis meses. Uma boa idéia na opinião
de quem há anos luta contra a criminalidade. "É muito
oportuno. Hoje tudo o que se fizer pelo desarmamento é válido",
diz Vera Masagão Ribeiro, presidente do Arrastão. "Como
há 30 anos a sociedade se articulou para formar
o movimento ecológico, hoje é necessário
criar um movimento pela cultura de paz", completa
Eduardo Jorge, um dos idealizadores dos brinquedos.
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