O Estado de São Paulo - Cidades
16/10/2004
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Pagamento por entrega de armas continua atrasado

Atitude é criticada pela população; PF promete voltar a cumprir prazos até o fim do mês

MARCELO GODOY

A Polícia Civil de São Paulo vai pedir a quebra do sigilo bancário do ex-governador de Mato Grosso, ex-senador e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Júlio Campos. O pedido será encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já decretou a quebra do sigilo telefônico do político. Tudo porque Campos é o principal suspeito de ser o mandante dos assassinatos do empresário Antonio Ribeiro Filho e do geólogo Nicolau Ladislau Erwin Haralyi, de 62 anos.

Dois policiais civis e um cabo da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul foram presos e acusados de serem os executores dos dois crimes. O cabo Nelson Barbosa de Oliveira, de 41 anos, foi reconhecido por duas testemunhas como o homem que executou o geólogo no dia 20 de julho, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Um quarto policial, Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o Betão, foi reconhecido por uma testemunha como o homem que dirigia a picape Hilux usada na morte do geólogo. Ele teve a prisão decretada e está foragido.

Os policiais civis Ezaquiel Leite Furtado, de 54 anos, e Eduardo Minare Higa, de 40, foram presos sob a acusação de terem participado do assassinato de Ribeiro Filho, ocorrido no Guarujá, em 5 de agosto. Eles se haviam hopedado no mesmo flat onde estava a vítima e foram presos no Aeroporto de Congonhas horas depois do crime.

A polícia descobriu que a pistola que matou Ribeiro Filho é a mesma usada para matar o geólogo. Também descobriu que o cabo da PM e Betão estavam hospedados no Guarujá quando o empresário foi morto e foram vistos em companhia dos policiais civis presos. A polícia suspeita que o grupo recebeu R$ 100 mil pelos crimes e um casal foi o intermediário entre o mandante e os executores.

Motivo - A disputa por terras em Aripuanã (MT) pode ter sido o motivo das mortes. Durante as investigações, a polícia descobriu um esquema de falsificação de documentos envolvendo Campos, ex-integrante da Arena, do PDS e do PFL.

Ribeiro Filho era sócio da empresa Agropastoril Cedrobom e o geólogo foi contratado para fazer estudos na área de 87 mil hectares em Aripuanã, noroeste do Estado, onde há jazidas de diamantes, e de outra área, com 11,7 mil hectares, no município de Juína (MT). A extração de pedras preciosas no local faz parte da mesma jazida dos diamantes das terras dos índios Cintas-Largas, em Rondônia.

Além dos policiais, a Justiça decretou as prisões de Delci Baleeiro Souza e de Nauriá Alves de Oliveira. Os dois são apontados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) como os laranjas usados pelo político para se apoderar da Cedrobom. O primeiro é funcionário da Rádio Antena 1 e a segunda, da Televisão Brasil Oeste (TBO), empresas do político em Cuiabá.

Eles estão foragidos.

A alteração fraudulenta do contrato da empresa, feita com assinaturas falsificadas do empresário, ocorreu em maio. O empresário estava tentando reaver a Cedrobom. Escuta telefônica mostrou os laranjas dizendo que o "verdadeiro dono das terras é o doutor Júlio Campos".

A advogada dos dois funcionários de Campos, Patrícia Milan ingressou ontem com habeas-corpus preventivo na Justiça do MT em favor dos dois. O ex-governador não foi localizado para comentar o assunto. Sua assessoria informou que ele estava em São Paulo para contratar advogado para acompanhar o caso. A assessoria informou que ele desconhece as acusações e vai se manifestar "no momento oportuno". (Colaborou Nelson Francisco)

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