Pagamento
por entrega de armas continua atrasado
Atitude é criticada
pela população;
PF promete voltar a cumprir prazos até o fim do
mês MARCELO GODOY
A
Polícia Civil de São Paulo vai pedir
a quebra do sigilo bancário do ex-governador de
Mato Grosso, ex-senador e conselheiro do Tribunal de
Contas do Estado, Júlio Campos. O pedido será encaminhado
ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já decretou
a quebra do sigilo telefônico do político.
Tudo porque Campos é o principal suspeito de ser
o mandante dos assassinatos do empresário Antonio
Ribeiro Filho e do geólogo Nicolau Ladislau Erwin
Haralyi, de 62 anos.
Dois
policiais civis e um cabo da Polícia Militar
do Mato Grosso do Sul foram presos e acusados de serem
os executores dos dois crimes. O cabo Nelson Barbosa
de Oliveira, de 41 anos, foi reconhecido por duas testemunhas
como o homem que executou o geólogo no dia 20
de julho, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Um
quarto policial, Alberto Aparecido Roberto Nogueira,
o Betão, foi reconhecido por uma testemunha como
o homem que dirigia a picape Hilux usada na morte do
geólogo. Ele teve a prisão decretada e
está foragido.
Os
policiais civis Ezaquiel Leite Furtado, de 54 anos,
e Eduardo
Minare Higa, de 40, foram presos sob a acusação
de terem participado do assassinato de Ribeiro Filho,
ocorrido no Guarujá, em 5 de agosto. Eles se haviam
hopedado no mesmo flat onde estava a vítima e
foram presos no Aeroporto de Congonhas horas depois do
crime.
A
polícia descobriu que a pistola que matou Ribeiro
Filho é a mesma usada para matar o geólogo.
Também descobriu que o cabo da PM e Betão
estavam hospedados no Guarujá quando o empresário
foi morto e foram vistos em companhia dos policiais civis
presos. A polícia suspeita que o grupo recebeu
R$ 100 mil pelos crimes e um casal foi o intermediário
entre o mandante e os executores.
Motivo - A disputa por terras em Aripuanã (MT)
pode ter sido o motivo das mortes. Durante as investigações,
a polícia descobriu um esquema de falsificação
de documentos envolvendo Campos, ex-integrante da Arena,
do PDS e do PFL.
Ribeiro
Filho era sócio da empresa Agropastoril
Cedrobom e o geólogo foi contratado para fazer
estudos na área de 87 mil hectares em Aripuanã,
noroeste do Estado, onde há jazidas de diamantes,
e de outra área, com 11,7 mil hectares, no município
de Juína (MT). A extração de pedras
preciosas no local faz parte da mesma jazida dos diamantes
das terras dos índios Cintas-Largas, em Rondônia.
Além dos policiais, a Justiça decretou
as prisões de Delci Baleeiro Souza e de Nauriá Alves
de Oliveira. Os dois são apontados pelo Departamento
de Homicídios e Proteção à Pessoa
(DHPP) como os laranjas usados pelo político para
se apoderar da Cedrobom. O primeiro é funcionário
da Rádio Antena 1 e a segunda, da Televisão
Brasil Oeste (TBO), empresas do político em Cuiabá.
Eles
estão
foragidos.
A
alteração fraudulenta do contrato da
empresa, feita com assinaturas falsificadas do empresário,
ocorreu em maio. O empresário estava tentando
reaver a Cedrobom. Escuta telefônica mostrou os
laranjas dizendo que o "verdadeiro dono das terras é o
doutor Júlio Campos".
A
advogada dos dois funcionários de Campos, Patrícia
Milan ingressou ontem com habeas-corpus preventivo na
Justiça do MT em favor dos dois. O ex-governador
não foi localizado para comentar o assunto. Sua
assessoria informou que ele estava em São Paulo
para contratar advogado para acompanhar o caso. A assessoria
informou que ele desconhece as acusações
e vai se manifestar "no momento oportuno".
(Colaborou Nelson Francisco)
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