O Estado de São Paulo - Cidades
14/05/2004
Lojas de armas vão manter cadastro de clientes
É uma das novidades do texto de regulamentação do Estatuto do
Desarmanento
EDSON LUIZ
BRASÍLIA - O texto final da regulamentação
do Estatuto do Desarmamento será entregue no dia 19 aos ministros
da Defesa, José Viegas Filho, e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
com duas novidades: as lojas de armamentos terão de guardar, por
cinco anos, o cadastro de seus clientes, e fica proibida a venda de
armas para usuários de drogas ou dependentes de medicamentos que
provocam alterações no desempenho intelectual e motor.
Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva sancionou a nova lei que regulamenta a criação de guardas
municipais em cidades com mais de 50 mil habitantes.
A comissão que estudou a regulamentação
do Estatuto recebeu cerca de mil sugestões de alterações da lei,
via internet, e selecionou 454, acolhendo 33 no texto final. "A
decisão que tomamos, de colocar o decreto na rede para ser
discutido pela população, foi inédito no serviço público. Além
disso, fizemos uma audiência pública para ouvir as pessoas e para
que as pessoas ouvissem umas às outras", afirmou Ivete Lund Viégas,
secretária de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e
que também presidiu a comissão.
No texto final, ficou decidido que as armas
obsoletas, que também deveriam ser recolhidas e destruídas, irão
para os museus do Exército ou da Polícia Federal. Outra modificação
abre a possibilidade de os armamentos usados em algum crime e que
estiverem em poder da Justiça serem guardados em depósitos do Exército
até o julgamento da causa. A regulamentação também obriga o
portador a gravar o número do registro no cano da arma, além de
autorizar funcionários administrativos a andar armados em missões.
"É o caso de motoristas da polícia, mas eles deverão ter
autorização do diretor da instituição", disse Ivete. Guarda
- Com a sanção da lei que regulamenta guardas municipais, as
cidades com mais de 50 mil habitantes e com menos de 500 mil
moradores poderão criar suas polícias armadas. As cidades das regiões
metropolitanas também poderão criar as guardas, mas todos os
integrantes devem cursar academias de ensino, que serão
supervisionadas pelo Comando do Exército.
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