O Estado de São Paulo - INTERNACIONAL

Segunda-feira, 13 de setembro de 2004


Acaba restrição à produção de armas nos EUA

Associação Nacional do Rifle comemora fim da proibição de fabricar arma de assalto de estilo militar


WASHINGTON - Depois de vigorar por dez anos, a proibição da importação e produção de armas de assalto de estilo militar expira hoje nos EUA, onde o Congresso nunca a renovou. Embora as pesquisas mostrem que a maioria dos americanos apoiava a proibição, poucos políticos se dispuseram a engajar-se numa grande batalha contra a Associação Nacional do Rifle (RNA), o poderoso lobby de armas com 4 milhões de associados.

"Há uma falta de conexão entre a opinião pública e a política pública na questão das armas", disse o analista político Robert Spitzer, da Universidade do Estado de Nova York. "A maioria dos eleitores apóia leis mais fortes de controle de armas, mas o assunto não ocupa o primeiro lugar entre suas preocupações", acrescentou. "Já para alguns dos membros da RNA, só existe essa questão, eles são profundamente comprometidos com sua causa e, em conseqüência, têm muita força política."

A RNA, que geralmente apóia os republicanos, ainda não endossou formalmente a candidatura do presidente George W. Bush à reeleição em 2 de novembro. Mas o site da organização na internet deixou clara a posição da organização ao qualificar o adversário democrata de Bush na disputa pela Casa Branca, John Kerry, de "o candidato presidencial mais antiarmas da história dos EUA".

O vice-presidente executivo da NRA, Wayne LaPierre, disse que a organização só anunciará seu apoio a um candidato no próximo mês, mas também não escondeu sua preferência pelo presidente americano. "Está bem claro em quem votarão os donos de armas que se importam com elas", afirmou LaPierre.

Embora Bush tenha dito em 2000 que iria apoiar a prorrogação da proibição, ele nunca trabalhou ativamente para isso e acabou endossando outras metas políticas da NRA. Na atual campanha eleitoral, dominada por assuntos-chave como o Iraque, o terrorismo e economia, a questão das armas acabou ficando em segundo plano.

A proibição da produção e importação de armas de assalto foi aprovada pelo Congresso em 1994 e transformada em lei com a assinatura do então presidente Bill Clinton. Desde então, a NRA fez do fim dessa lei uma de suas prioridades.

Mas a organização fracassou este ano na tentativa de alcançar outra se suas metas: uma lei que restringisse as ações civis contra a indústria de armas.

O projeto chegou a ser aprovado pela Câmara, mas foi rejeitado pelo Senado.

(Reuters)

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