Mariângela
Gallucci
Colaborou: Gilse Guedes
As frentes parlamentares pró e contra o desarmamento
poderão divulgar suas idéias antes do
referendo sobre venda de armas marcado para 23 de outubro
desde que não incitem à violência
nem provoquem animosidades entre as Forças Armadas
ou contra elas. E as emissoras de rádio e TV
estão proibidas de veicular opiniões
sobre o tema em sua programação convencional.
As proibições constam das 12 instruções
sobre a realização da consulta popular
aprovadas ontem à noite por unanimidade pelos
sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O referendo servirá para mostrar se os eleitores
brasileiros querem ou não a proibição
da venda de armas de fogo e munição.
O voto será obrigatório para maiores
de 18 anos. Quem estiver impossibilitado de votar terá de
justificar a falta.
Além de disciplinar a propaganda, as instruções
aprovadas pelo TSE contêm regras para prestação
de contas de campanha, realização de
pesquisas de opinião pública, procedimentos
para apresentar à Justiça Eleitoral reclamações
contra a frente adversária, apuração
dos votos e divulgação do resultado e
outras, mais técnicas, como fiscalização,
auditoria, assinatura digital e lacração
de programas usados na eleição.
A propaganda das frentes pró e contra será veiculada
de 1º a 20 de outubro nas emissoras de rádio
e TV. Cada uma terá 10 minutos por dia de programa,
mais inserções que totalizem outros 10
minutos diários.
Na programação convencional, emissoras
não poderão veicular propaganda ou difundir
opinião a favor ou contra as propostas discutidas
no referendo nem dar tratamento privilegiado a um dos
grupos. Também estão proibidas de transmitir
ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou
programas com alusão ou crítica às
frentes. As exceções ficam por conta
de programas jornalísticos ou de debates.
O TSE também fixou regras para arrecadação
de recursos e prestação de contas da
campanha. É obrigatória a abertura de
conta específica em nome da frente para a movimentação
financeira relativa ao referendo. As campanhas não
poderão ter doações de entidades
ou governos estrangeiros e órgãos da
administração pública.
APOIO
A Varig vai distribuir panfletos aos
passageiros com mensagens da campanha pelo desarmamento.
A medida foi
anunciada ontem pelo presidente do conselho administrativo
da empresa, David Zylbersztajn, em reunião com
o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
líder da frente pró-desarmamento. A Varig
também vai orientar comissários de bordo
a ler mensagens de apoio à campanha nos vôos.