METRÓPOLE - O ESTADO DE S.PAULO
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2004
Crime cresce e polícia prende menos

Números do Estado, divulgados com atraso após segundo turno da eleição, indicam, para especialistas, a necessidade de mudanças

Marcelo Godoy


A criminalidade aumenta no Estado de São Paulo e a eficiência da polícia diminui. Essas duas tendências, iniciadas no ano passado, consolidaram-se nos primeiros nove meses deste ano com o recorde de delitos registrado no 3.º trimestre, número divulgado com atraso pela Secretaria da Segurança Pública, um dia após o 2.º turno das eleições municipais.
Neste ano e em 2003, o total de delitos ficou 12% maior no Estado em relação a 2002, revelando uma mudança de patamar da criminalidade - o maior da história. De fato, nos primeiros nove meses de 2000, 2001 e 2002 foi registrado 1,3 milhão de delitos, enquanto que em 2003 e 2004 esse número ficou em 1,45 e 1,46 milhão respectivamente.

Ao mesmo tempo, as prisões e armas apreendidas caíram. Foram parar na cadeia 90 mil pessoas em 2000 e 67 mil neste ano (-24,7%). Os policiais acharam 30,6 mil armas em 2000 e 26 mil neste ano (-14,3%). Apreensões de armas e prisões são dois dos melhores índices para medir a eficiência policial, segundo especialistas, e eles caíram de 2003 para 2004 - 8,3% (prisões) e 11,8% (armas). A Secretaria da Segurança Pública discorda.

O coronel José Vicente da Silva, ex-secretário nacional de Segurança Pública do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), afirmou que "não há dúvida sobre a relação entre esses números (aumento de crimes e queda de prisões e de armas apreendidas)". Segundo ele, apesar de a polícia comemorar a queda dos homicídios no Estado, é possível que ela se deva mais a ações sociais do que à ação policial. Os assassinatos caíram nos últimos cinco anos. O total em 2004 é 26,9% menor do que em 2000. Nesse período, os roubos cresceram 9% e os roubos e furtos de veículos caíram 22%. "Essa queda é resultado de trabalho policial."

De acordo com o coronel, as prisões e apreensões de armas estão relacionadas com o dinamismo, a motivação e o direcionamento das ações policiais contra o crime. Para enfrentar a situação atual, ele disse ser urgente investir em polícia territorial, ou seja delegacias e companhias da PM dos bairros, e não na polícia especializada, como a Rota e o Deic.

"Em Nova York, os melhores oficiais foram para as piores delegacias e receberam incentivos." A lógica dessa proposta é que o objetivo da polícia é reduzir o crime, o que só se pode medir com os casos registrados numa área.

Diagnóstico semelhante fez o pesquisador Guaracy Mingardi, do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud). "Se o crime cresce e as prisões diminuem, significa que estão deixando mais criminosos livres." Em 2000, as prisões representavam 6,9% dos crimes. Agora, são 4,6%.

O comandante da PM na época dos melhores índices de prisões e de armas apreendidas, coronel Rui César Melo, explicou a tática usada. "Reuniões da cúpula com os comandos locais e regionais. Explicávamos as prioridades: combate aos homicídios, roubos, furtos e estupros." Segundo ele, aumentou-se a pressão sobre os criminosos com o sistema Infocrim, que mapeva os delitos.

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