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ENTANTO, apesar da boa vontade do cidadão,
a violência não retrocedeu e os bandidos
continuam matando em assaltos à mão armada,
seqüestros, seqüestros-relâmpagos, assaltos
a bancos e guerras de gangues.
EM BELO Horizonte, uma das cidades recordistas
no recolhimento de armas de todos os calibres, entre
junho
e setembro
do ano passado, foram cometidos 225 homicídios.
ESTE ANO, no mesmo período, já foram registrados
261 assassinatos, o que representa um acréscimo
de 16%. Este resultado chamou a atenção
dos críticos do desarmamento e até da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), que, após mostrar-se
favorável ao desarmamento, parece que que vai
mudar de idéia.
O ESTATUTO não surtiu o resultado esperado, disse
o vice-presidente nacional do órgão, Aristóteles
Atheniense. Para ele, a política do desarmamento,
até agora, só afetou negativamente o cidadão
de bem, que está cada vez mais fragilizado diante
da criminalidade . Disse ainda que o governo opta por
soluções paliativas. O que essa campanha
está fazendo é escamotear a violência.
Todo mundo sabe que as armas que vão para o crime
são produto do contrabando .
É BEM verdade que o governo já gastou
uma fábula pagando quem entregasse armas de fogo.
O problema é que, até então, só foram
recolhidos, em sua maioria, velhos trabucos, grande parte
enferrujado. Sabe-se que bandido moderno usa fuzis AR-15,
metralhadora UZI, submetralhadora, escopetas e até granadas.
E MAIS: bandido que se preza não tem porte de
arma e não compra armas de fogo em loja. Para
que o Estatuto do Desarmamento surta efeito, seria necessário
que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica
se juntassem às polícias Militar, Civil
e Federal e passasssem tomar armas dos criminosos, por
terra, ar e mar.
E CLARO que, além disso, a impunidade teria que
ser tratada com mais rigor. Ela talvez seja a maior responsável
pelo aumento da criminalidade no País.
MESMO CONTRARIANDO determinados segmentos,
o sistema que prevê o excesso de benefícios a criminosos
deveria ser revisto. Hoje, quem comete crime hediondo
pode ser libertado, por bom comportamento, após
cumprir um terço da pena. Assim, fica fácil
para o bandido e difícil para o cidadão.