Ricardo Rafael (09.04.04)
Violência
Estatuto não inibe crimes
Homicídios crescem 20% no período em que cidadão é desarmado
08/10/2004
Ludmila Viana
Da editoria de Cidades
A campanha
do desarmamento iniciada pelo governo federal ainda
não conseguiu inibir os crimes com arma
de fogo em Goiás. Em julho, agosto e setembro
deste ano, 55 homicídios foram praticados com
arma de fogo; em 2003 este número era de 44 mortes
no mesmo período – aumento de 20%. Desde o início
da campanha (17 de julho), a Polícia Federal recebeu
2.666 armas em Goiás; no Brasil, cerca de 140
mil armas já foram entregues.
De acordo
com o delegado titular da Delegacia Estadual de Homicídios, Jorge Moreira da Silva, 80% dos
crimes são cometidos com uso de armas de fogo.
“Apesar de muitas leis serem burras, tem de haver a esperança
de que a campanha em favor do desarmamento vá diminuir
a criminalidade”, opina.
O delegado
define como “conflitante” o comportamento dos parlamentares,
que elaboraram o estatuto para desarmar
a sociedade, e ao mesmo tempo permitem o funcionamento
de fábricas de armas. “Sou a favor da campanha
desde que haja um serviço eficaz das instituições
de Segurança Pública no sentido de acabar
com a marginalidade.”
O comandante-geral
da Polícia Militar de Goiás,
coronel Queiroz, acredita que a campanha deveria ser
melhor orientada. “Não sou a favor de desarmar
por desarmar, como vem sendo feito.” A venda de armas
de fogo é apontada pelo coronel como um dos problemas
do Estatuto.
Segundo ele,
não há um controle ideal
de venda de armas, pois estas entram por contrabando
nas fronteiras e são facilmente comercializadas
clandestinamente. “Sou contra desarmar o cidadão
de bem. Se a pessoa sabe utilizar e conduzir um revólver,
não vejo porque desarmá-la”, ressalta.
Para ele, a campanha não atingirá o bandido:
“Não existe a possibilidade de o bandido se desarmar;
armas são sua ferramenta de trabalho.”
Positivo –
O coronel vê um ponto positivo no Estatuto.
Se uma pessoa está de posse de uma arma e não
sabe manejá-la corretamente, o instrumento pode
ser usado contra ela. “Quem não tem arma não
reage a um assalto, e não reagindo, está mais
seguro.” Ele destaca que o registro e o porte deveriam
ser dificultados ao máximo; mas quem tiver necessidade
de ter uma arma, deveria ter mais facilidade de acesso
a ela.
Apesar do
número de homicídios ter aumentado
em 20% nos meses de julho, agosto e setembro deste ano
– se comparados a 2003 –, o delegado Jorge Moreira afirma
que o estatuto teve impacto psicológico na sociedade.
“Diminuíram as prisões em flagrante por
arma de fogo e os homicídios por motivos banais.”
Compare
Confira o número de homicídios praticados
com armas de fogo
julho de 2003 - 8
julho
de 2004 - 14
agosto de 2003 - 21
agosto de 2004 - 20
setembro de 2003 - 15
setembro de 2004 - 21
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