Pauta - 28/2/2005 9h01
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Projeto adia referendo sobre armas para 2010

Caso seja aprovado o Projeto de Lei 4758/05, o referendo popular que decidirá sobre a proibição de comercialização de armas de fogo e munição no Brasil só será realizado em 2010. A proposta foi apresentada à Câmara pelo deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP).
Para adiar a data da consulta à população, o projeto altera a Lei 10826/03, o Estatuto do Desarmamento, que prevê para outubro deste ano a realização do referendo. "Embora a previsão da consulta popular coloque o País entre as democracias mais avançadas do mundo, a data marcada deixa um prazo demasiadamente curto para a população refletir sobre as vantagens e desvantagens da proibição completa do uso de armas", justifica o deputado.

Tema polêmico
Fleury explicou que o referendo foi a forma negociada pelo Congresso Nacional para aprovar o Estatuto do Desarmamento. Segundo ele, a proibição total da comercialização de armas é um tema polêmico e enfrentou resistências de parte dos parlamentares.
O deputado argumenta que ainda não houve condições para a sociedade avaliar os efeitos das proibições estabelecidas pelo Estatuto, regulamentado em julho do ano passado. "É preciso tempo para saber se existe uma relação direta entre o comércio e o porte de armas e o aumento da violência no País", considerou.

Mais indefesa
Na opinião de Fleury, ao votar o referendo sem conhecer os efeitos na prática do Estatuto do Desarmamento, a população corre o risco de ficar ainda mais indefesa, em vez de contribuir para a reduzir a violência. "O combate à criminalidade não se faz com passe de mágica", afirmou.
De acordo com o deputado, pesquisas já sinalizaram, no entanto, que a proibição de porte de arma não diminui a criminalidade. Fleury citou o caso do Rio de Janeiro, que, segundo ele, não possui número elevado de portes de arma emitidos, mas detém uma das taxas mais altas de homicídios no País. "Já no Rio Grande do Sul, onde existem mais de 40 mil portes de arma, a taxa de homicídios é uma das mais baixas", comparou.

Armas de fogo e violência
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que no Brasil uma pessoa corre quatro vezes mais risco de ser atingido por um tiro que na média dos demais países. Segundo a ONU, apesar de não estar em guerra, o Brasil é o lugar onde mais se morre por arma de fogo. Com apenas 2,8% da população mundial, o País responde por cerca de 11% dos homicídios por arma de fogo no mundo. Em 2002, foram cerca de 40 mil brasileiros assassinados por arma de fogo.
Os custos econômicos dessa violência também são elevados. De acordo com o Ministério da Justiça, somente em 2003, incidentes com armas de fogo custaram ao Sistema Único de Saúde (SUS) mais de R$ 400 milhões.

Tramitação
Apresentado em Plenário no dia 16 de fevereiro, o projeto de lei de Fleury ainda não tem tramitação definida.

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Reportagem - Joseana Paganine
Edição - Wilson Silveira

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

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