http://www2.camara.gov.br/

Consolidada - 12/4/2005 16h06

Câmara tem comitês pró e contra desarmamento

Parlamentares e entidades favoráveis e contrários ao desarmamento da sociedade civil mobilizaram-se hoje pela manhã na Câmara, quando foram criados dois comitês para acompanhar o assunto: o Comitê Suprapartidário pelo Desarmamento, idealizado pelo PPS e PDT, e o Comitê Suprapartidário Pró-Legítima Defesa, instalado pelo deputado Alberto Fraga (sem partido-DF).
Os primeiros defendem a realização do referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo no País. O segundo quer acompanhar, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a elaboração dos critérios de divulgação da campanha do referendo.
O projeto em análise na Câmara (PDC 1274/04) determina que o referendo será compulsório, ou seja, todos os cerca de 130 milhões de eleitores brasileiros serão obrigados a votar. Caberá à Justiça Eleitoral elaborar as regras de campanha e de difusão da consulta popular em rádio e televisão. A proposta, porém, precisa ser aprovada pela Câmara até o fim de abril, para que a Justiça Eleitoral tenha tempo de operacionalizar a consulta até o dia 2 de outubro, data prevista para a realização do referendo.

Votação nas comissões
O projeto está na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. No entanto, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), pediu ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, que o texto seja encaminhado para a CCJ, independentemente da avaliação da Comissão de Segurança Pública.
Se o pedido for atendido, volta a valer a pergunta original elaborada pelo Senado: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". O substitutivo do deputado Wanderval Santos (PL-SP), apresentado na Comissão de Segurança Pública, altera a pergunta para: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido aos cidadãos para sua defesa e de seus bens?".
O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) afirmou que ajudará a obstruir a votação da proposta na Comissão de Segurança Pública para que prevaleça a pergunta aprovada no Senado. Em sua opinião, esse referendo será a primeira consulta popular que trata de um tema menos político e mais relacionado ao cotidiano do cidadão. Ofício do presidente Severino Cavalcanti deu prazo até esta quinta-feira para que a votação na Comissão de Segurança Pública ocorra. Caso contrário, o projeto que regulamenta o referendo irá direto para a Comissão de Constituição e Justiça, seguindo depois para o Plenário.

Legítima defesa
Entidades como o Movimento Viva Brasil, policiais civis e militares e produtores rurais participaram do lançamento do Comitê Suprapartidário Pró-Legítima Defesa. Alberto Fraga, que é presidente da Frente Parlamentar de Defesa da Segurança Pública, pretende ainda conseguir o apoio de outros parlamentares. "Queremos ter o direito de, se o referendo for aprovado, mostrar o outro lado da verdade. Queremos que o cidadão tenha o direito da legítima defesa", disse.
Em sua opinião, o referendo é desnecessário, porque o Estatuto do Desarmamento já dificultou a comercialização de armas. Ele diz que o fim do comércio legal de armas vai acabar institucionalizando o mercado negro. 332 mil armas já foram recolhidas no País na campanha de desarmamento do Governo. Alberto Fraga anunciou que apresentará requerimento ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para saber quantos cidadãos civis compraram armas depois do Estatuto.
O presidente do Movimento Viva Brasil, professor Bene Barbosa, disse que a campanha do desarmamento traz perigo para o cidadão porque não diminuiu as armas em circulação e se mostrou ineficaz para o combate à criminalidade. "A campanha não impede que o criminoso tenha uma arma de fogo e ainda permite que ele se sinta mais forte porque a sociedade está se rendendo a ele", defendeu.

Reportagem - Paula Bittar e Carolina Nogueira
Edição - Pierre Triboli

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)