21/09/2004
Audiência
pública mostra outro lado do desarmamento
Comandante
da Área Metropolitana e diretor da
Associação Paulista
de Defesa dos Direitos das Liberdades Individuais fazem
críticas ao estatuto
"
O estatuto do desarmamento retira do cidadão a
possibilidade de se defender em casos extremos”. A declaração
foi feita pelo comandante da Polícia Militar para
a Área Metropolitana, coronel Paes de Lira, durante
Audiência Pública realizada ontem (21) na
Assembléia Legislativa. O
Cel. Paes de Lira iniciou sua exposição
lembrando que o estatuto privilegia o exercício
de poder pelo Estado, desarmando a população.
“Tenho certeza de que o cidadão comum, de bem,
cumprirá a Lei”, afirmou. No entanto, fez uma
ressalva, com base na sua experiência no serviço
de segurança comunitária: “O Estado não
consegue assegurar a segurança de toda a população
o tempo todo”.
Relatou
que o número de crimes (e de prisões)
tem crescido consistentemente, e que o cenário
para o futuro próximo não é animador,
com a juventude pobre, sem oportunidades, cada vez mais
sendo transformada em “operariado do crime organizado”,
e equipada com armas não registradas para perpetrar
os crimes.
Lembrou
ainda que os criminosos já eram desarmados
por meio da Lei 9.437/97, e que a nova lei não
traz nenhuma novidade nesse sentido. Apenas retira do
cidadão comum o direito de se defender em casos
extremos.
Exemplos de fora
A alegação de que diminuir as armas legalmente
em circulação diminui a ocorrência
de crimes também foi contestada pelo presidente
do Conselho da Associação Paulista de
Defesa dos Direitos e das Liberdades Individuais (Apaddi),
Luis Afonso Santos. "Legalmente adquiridas e guardadas
em locais seguros são instrumentos de defesa
e não de incidência da criminalidade".
Sobre a escalada da violência entre 1994 e 2002,
ele contrapôs a queda dos portes concedidos no
mesmo período: a emissão de portes de
arma na capital de São Paulo caiu de 69 mil
em 94 para 4 mil em 2002. Ou seja, enquanto despencou
o número de portes, a taxa de homicídios
disparava.
Santos também refutou os argumentos apresentados
pelo Instituto Sou da Paz sobre os efeitos do desarmamento
na Austrália e na Inglaterra. Segundo dados
oficiais dos dois países, o número de
ocorrências com armas de fogo praticamente duplicou
em apenas seis anos depois do desarmamento civil.
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