A TARDE - on line
Publicação: 31/03/2005


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Bancada da bala`` perde duelo

AGÊNCIA GLOBO
BRASíLIA - Depois de três horas de uma tensa reunião, a Comissão de Segurança adiou para a próxima semana a votação do relatório do deputado Wanderval Santos (PL-SP) sobre o projeto que definirá a pergunta a ser feita no referendo sobre a proibição do comércio de armas no País. A sessão foi suspensa depois que os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Laura Carneiro (PFL-RJ) pediram verificação de quórum. Os dois deputados pediram a checagem de parlamentares presentes à reunião para forçar o adiamento da votação e, com isso, evitar uma iminente vitória da ``bancada da bala``, em maioria na comissão.
``Foi um mal menor. Não tínhamos outra alternativa. Se fôssemos para a votação iríamos perder``, disse Laura Carneiro, que comandou a reação do grupo favorável ao desarmamento.
O risco de derrota surgiu no final do debate, quando o presidente da Comissão, deputado Enio Bacci (PDT-RS) decidiu pôr em votação um requerimento do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) propondo o adiamento da votação do relatório de Wanderval por mais cinco sessões. Como a ``bancada da bala`` venceria a disputa por sete votos a seis, Laura Carneiro e Jungmann pediram a verificação de quórum. Num erro estratégico, os deputados que são contra o desarmamento deixaram a Comissão e acabaram ajudando a adiar a votação por mais uma e não por mais cinco sessões, como queriam.
Depois do embate, Enio Bacci disse que o relatório de Wanderval será votado impreterivelmente na próxima quarta-feira. Bacci disse que o relator estuda duas alternativas de perguntas que constariam na cédula de votação. A primeira seria: ``Você é favorável ao desarmamento no País? Sim ou não``. A segunda seria a manutenção da pergunta aprovada no Senado, que é: ``O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? Sim ou não?``.
No relatório que estava prestes a ser votado, a pergunta formulada por Wanderval é: ``Deve ser proibido em todo o território nacional o comércio de armas de fogo e munições a pessoas para sua legítima defesa e de seu patrimônio na forma da lei? Sim ou não?``. O texto provocou forte polêmica.