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16/03/2005 - Presidência
Renan pede mobilização da sociedade para garantir referendo do desarmamento

Marcos Magalhães
Enviado Especia
Agência Senado



O presidente do Senado, Renan Calheiros, pediu nesta quarta-feira (16) que a sociedade se mantenha mobilizada para garantir a realização, no primeiro domingo de outubro, do referendo sobre a proibição da comercialização de armas. A convocação do referendo, prevista no Estatuto do Desarmamento, precisa ser feita por meio de projeto de decreto legislativo, já aprovado pelo Senado e agora em tramitação na Câmara.

- A aprovação do estatuto foi um importante passo dado pela sociedade brasileira na direção de sua vocação maior, que é a paz. Mas a eficácia do estatuto depende da realização do referendo - recordou Renan durante o Seminário Internacional sobre Regulamentação da Posse e do Uso de Armas Pequenas por Civis, realizado no Rio de Janeiro.

Ele observou que a palavra final a respeito do decreto legislativo caberá ao Senado, onde ocorreu a primeira votação da matéria. Mesmo que os deputados decidam alterar a proposta, para incluir novas perguntas no referendo, disse ele, os senadores poderão manter a redação inicial. Na opinião do presidente do Senado, a inclusão de outras perguntas no primeiro referendo da história do país poderá enfraquecer a iniciativa.

- Sou contra a ampliação do referendo. Temos que fazer este primeiro, sobre a questão da comercialização de armas, para fortalecer a hipótese de consultas à população - sustentou Renan.

Durante o seminário, o diretor do movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, observou que dois terços dos 15,5 milhões de armas leves que se encontram em mãos de cidadãos brasileiros são ilegais. Mais de metade dessas armas, disse ele ainda, foram adquiridas por meio do mercado informal. Ou seja, são armas que inicialmente foram adquiridas legalmente mas que, ao longo do tempo, foram revendidas a terceiros uma ou várias vezes.

Para melhor controlar o tráfico de armamentos, recomendou, inicialmente será necessário garantir a troca de informações em tempo real pelos vários órgãos governamentais. Nesse sentido, ele elogiou o dispositivo do Estatuto do Desarmamento que determina a identificação por lotes da munição produzida no país. Mesmo assim, o diretor do Viva Rio acredita que a implantação do estatuto está apenas começando. A realização do referendo, a seu ver, poderá ajudar a colocá-lo em prática.

- O primeiro grande resultado da consulta à população será a discussão do assunto por todas as famílias. E, caso seja aprovada a proibição da venda de armas, estaremos fechando as portas do mercado formal e, com isto, apertando também o mercado informal - previu Rubem César Fernandes.

Segundo o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que também participou do evento, o governo está "integralmente empenhado" na realização do referendo. O período que antecede a consulta, disse ele, deverá ser como uma "grande campanha política" a favor do desarmamento.

De acordo com o ministro, a resposta da sociedade à aprovação do Estatuto do Desarmamento tem sido muito boa. Em seis meses, observou, o recolhimento de armas em poder da sociedade foi três vezes maior do que o previsto inicialmente.

Para que o referendo se realize no primeiro domingo de outubro, será necessária a aprovação pela Câmara do projeto de decreto legislativo já acolhido pelo Senado. O texto está sendo analisado pela Comissão de Segurança Pública da Câmara e ainda passará pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), antes de seguir para o Plenário.