
Zero Hora 08 Julho 2007
Plebiscito Frio
Paulo Sant'ana
Eu não tinha me apercebido, mas escrevendo a coluna de sexta-feira é que me dei conta: foi votado um plebiscito no Brasil, pediram ao povo que opinasse se queria o desarmamento ou não.
E o que aconteceu: o povo decidiu que não queria o desarmamento.
E o que o povo decide num plebiscito é soberano, nada pode anular a decisão popular, todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido, como reza a Constituição.
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Mas na verdade está acontecendo exatamente o que o povo repudiou no plebiscito, está acontecendo o desarmamento.
Quem tem armas em casa está sujeito a ser preso. Só pode ter armas escondidas.
Porque é proibido portar ou ter armas em casa, tanto sob o ponto de vista das dificuldades administrativas para se adquirir uma arma quanto pelo óbice financeiro: se alguém conseguir por milagre um porte ou um registro de arma, com exceção dos que ainda estão vigendo, se desencorajará pelo que custam as taxas de registro e porte.
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Temos, então, que foi a mais rematada tolice da história do país: o povo decidiu contra o desarmamento e, ou ficou desarmado, ou será punido com cadeia se proceder de acordo com o resultado do plebiscito, isto é, se exercitar o direito de andar armado ou ter uma arma em casa.
Um absurdo real mas inacreditável.
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Os defensores do desarmamento tinham como principal argumento o de que, tornando o porte e o registro de armas acessíveis aos cidadãos, os bandidos iriam ter armas à vontade para agir, bastaria que as roubassem dos cidadãos.
E o que se vê hoje é exatamente o contrário: a população encontra-se acuada para portar ou possuir armas - e os bandidos exibem arsenais.
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Não se diga que é no Rio de Janeiro que se apreendem, lá no Gólgota do Morro do Alemão, metralhadoras .40, granadas e feixes de bananas de dinamite, como aconteceu recentemente.
Aqui em Porto Alegre, esta semana tentou-se assaltar um carro-forte defronte a uma agência bancária na Avenida Assis Brasil com o uso de dois fuzis por parte dos assaltantes.
Dois fuzis, armas privativas das Forças Armadas.
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As metralhadoras que apreenderam no Rio de Janeiro são antiaéreas, nem as polícias as possuem.
Como é então? Quer dizer que os assaltantes e bandidos em geral, segundo os teóricos do desarmamento, iriam ser abastecidos pela população das armas que necessitassem para seus crimes.
É dos cidadãos que eles roubaram metralhadoras antiaéreas, dinamite, granadas e fuzis?
Contem outra lorota. Contem outra anedota, que nesta não deu para acreditar.
O povo, desarmado. Como queriam os desavisados teóricos do desarmamento. E os bandidos, armados até os dentes, com armas que jamais seriam alcançadas aos cidadãos e que não são sequer portadas pela polícia. Armas de guerra.
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Logo, aquela farsa de que os cidadãos é que terminam armando os bandidos caiu por terra. Rapidamente. Desandou e vai continuar desandando, em efeito dominó, todas as teses dos defensores do desarmamento.
E o subcomandante da Brigada Militar, apavorado, como nós todos, com a supremacia dos assaltantes e bandidos sobre a polícia, veio a público pedir que a população reaja.
Reagir?
Concordamos, mas depressa nos forneçam de volta as armas.
E nem precisamos de armas exclusivas das Forças Armadas.
Revolverzinhos já nos bastam. |