Transcrevemos um artigo de Marcelo Pereira, Doutor em Direito do Estado, que apresenta as razões pelas quais É INACEITÁVEL O PROJETO FLEURY DE DESARMAMENTO.

Temos encontrado pessoas desavisadas que vêem com simpatia sua aprovação, motivo pelo qual apresentamos como alerta, o referido artigo, para que essas pessoas revejam sua posição.

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A insensatez da tentativa de desarmamento
por meio do projeto de lei n.º 2787/97.

 

MARCELO PEREIRA
Doutor em Direito do Estado
pela Faculdade de Direito da USP

Será absurda, se ocorrer, a transformação em lei do projeto n.º 2787/97, que dificulta ainda mais a venda e o porte de armas de fogo no território nacional, impedindo o exercício do direito sagrado à legítima defesa.

O Congresso brasileiro está sendo envolvido numa campanha falaciosa, que procura demagogicamente solucionar de forma errada o grave problema da violência. Qualquer pessoa de bom senso sabe que leis decorrentes do exercício do poder de polícia do Estado não protegem direitos, nem da sociedade e muito menos do indivíduo. Leis dessa natureza servem apenas para restringir liberdades, e como tal, num Estado Democrático devem ser elaboradas com muito bom senso e parcimônia, sob pena de se tiranizar a população. Na própria exposição de motivos do projeto, se reconhece que um controle maior sobre as armas legais não diminuirá a violência, o que torna a proposta em andamento contraditória. Os dados citados comprovam que inexiste relação entre a venda e porte de armas legais e o aumento da violência. Os próprios dados demonstram que, em 1994, em São Paulo foram registradas 42.090 armas e autorizados 69.136 portes de armas. Nos anos seguintes, com a lei federal n.º 9437/97 e a criação do Sistema Nacional de Controle de Armas de Fogo- Sinarm, com a maior dificuldade para compra e aquisição de armas, houve uma diminuição progressiva das vendas até que em 1998 ocorreram apenas 6.714 registros de armas e 2.115 portes de arma autorizados. Entretanto, não houve diminuição da violência e nem do número de roubos e homicídios praticados com armas de fogo em São Paulo, pela simples razão das armas utilizadas em delitos, via de regra, serem ilegalmente adquiridas e de uso proibido.

Aconteceu exatamente o inverso, ou seja, os homicídios ceifaram a vida de 756 pessoas em São Paulo somente em dezembro de 1998, e o número de roubos em São Paulo atingiu, também no 2º semestre de 1998, a 51.131 ocorrências. Conforme se depreende pela leitura da exposição de motivos do projeto de lei, nos últimos 4 anos, a venda legal de armas no país caiu 80% e o número de portes concedidos em São Paulo diminuiu 97%, e os índices de violência cresceram de forma alarmante. Além disso, não existe relação entre a quantidade de armas legais e o número de homicídios. No Rio Grande do Sul, 16% da população possuem armas e o índice de homicídios é de 15 por 100.000 pessoas. No Rio de Janeiro, ao contrário, apenas 5% declaram possuir armas e o número de homicídios é de 59,9 por 100.000 habitantes; e nos Estados Unidos, 39% da população adulta possui armas, tendo ocorrido somente 6,8 homicídios para cada 100.000 habitantes em 97, o índice mais baixo desde 1962.

Também os próprios dados constantes da exposição de motivos do projeto reconhecem que nos outros países que adotaram a proibição a criminalidade cresceu. Assim, desde a proibição da venda e do porte da arma na Inglaterra, houve um aumento de 117% de crimes violentos nos últimos 5 anos. Na Austrália, com o programa de desarmamento, houve um aumento de 39% no número de roubos a mão armada entre 1996 e 1997, e no Canadá as agressões com armas subiram 28%. Neste mesmo país, o Canadá, que foi um dos primeiros a adotar o desarmamento desde 1978, o índice de crimes violentos cresceu 89% em 91.

Tudo isso demonstra claramente o seguinte: bandidos preferem vítimas indefesas. Só quem é mal intencionado ou ignorante não percebe tal conclusão, que salta aos olhos pela sua evidente clareza