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A
Experiência Fracassada
Gary
A. Mauser
A
ampla divulgação pela televisão
de assassinos com armas de fogo em muitos países
durante o século XX, incitaram os políticos
a introduzir leis restritivas em relação às
armas de fogo. Os políticos garantiram, então,
que as novas restrições iriam reduzir a
violência criminal e “criar uma sociedade mais
segura”. Chegou o momento de parar e perguntar se as
leis sobre armas realmente reduziram a violência
criminal.
As leis sobre armas de fogo, que devem evidenciar terem
resultado em um corte nos crimes violentos ou o controle
sobre as armas, não passam de uma promessa vazia.
O que faz com que o controle sobre as armas de fogo seja
tão atraente para muitos, é a crença
de que os crimes violentos são cometidos devido à facilidade
de se obter uma arma e, mais importante, de que a violência
criminal de modo geral, pode ser reduzida através
do limite ao acesso às armas de fogo.
Neste estudo, foram examinadas as tendências criminosas
nos países da República Inglesa que, recentemente
introduziram os regulamentos sobre armas de fogo como,
por exemplo, a Grã-Bretanha, a Austrália
e o Canadá. A chave amplamente ignorada para avaliação
da regulamentação das armas de fogo está em
examinar as tendências diante do total de crimes
violentos, e não apenas daqueles relacionados
com armas de fogo. Uma vez que as armas de fogo são
apenas uma pequena fração da violência
criminal, o público não estará mais
seguro se a nova lei puder reduzir a violência
com armas de fogo, mas não tiver efeito sobre
a violência criminal como um todo.
Os Estados Unidos são um valioso termo de comparação
em relação aos índices de criminalidade
porque o sistema de justiça criminal lá difere
drasticamente dos da Europa e da República Inglesa.
Não só as penas são tipicamente
mais severas, como também as penas e o encarceramento
são, normalmente, muito mais altos. Talvez a diferença
mais gritante seja que, cidadãos habilitados nos
Estados Unidos, podem levar consigo armas de mão
para auto-defesa. Durante as últimas décadas,
mais de 25 estados dos Estados Unidos aprovaram leis
permitindo aos cidadãos responsáveis o
porte de armas de mão para auto-defesa. Em 2003,
35 estados nos Estados Unidos passam a permitir que os
cidadãos obtenham essa autorização.
O resultado é que as taxas de crime violento e
de homicídios em particular, têm declinado
nos Estados Unidos. A queda na taxa de criminalidade é ainda
mais impressionante se comparada com o resto do mundo.
Em 18 dos 25 países pesquisados pelo British Home
Office, os crimes violentos aumentaram nos anos 90. Esse
contraste deveria fazer com que as pessoas conscientes
se perguntem o que foi que aconteceu naqueles países
onde, cada vez mais, leis de restrição às
armas foram aprovadas.
Grã-Bretanha
Nos últimos
20 anos, tanto os governos do Partido Conservador quanto
os do Partido Trabalhista, introduziram
leis de restrição às armas, sendo
que, em 1997, foram banidas todas as armas de mão.
Infelizmente, essas regras draconianas de restrição às
armas falharam por completo. O público não
está minimamente mais protegido, podendo até estar
menos protegido do que antes. As estatísticas
da polícia mostram que a Inglaterra e o País
de Gales estão passando por uma séria
onda de crimes. Em contraste com a densidade de armas
de mão
dos Estados Unidos, onde a taxa de criminalidade vem
caindo há mais de 20 anos, a taxa de homicídios
na Inglaterra e no País de Gales, países
onde as armas de mão foram banidas, tem crescido.
Apenas em 1990 a taxa de homicídios subiu em
50%, indo de 10 por milhão de habitantes em
1990, para 15 por milhão em 2000.
As estatísticas policiais mostram que o crime
violento em geral, tem aumentado desde os últimos
anos da década de 80 e, de fato, desde 1996 têm
sido mais sérios do que nos Estados Unidos.
As leis contra as armas de fogo podem, inclusive,
ter aumentado o índice de violência criminal,
através do desarmamento do público em geral.
Não obstante a Grã-Bretanha ter banido
e confiscado todas as armas de mão, os crimes
violentos e por arma de fogo continuam a crescer. Austrália
Após as matanças chocantes em 1996, o governo
australiano fez mudanças cabais na legislação
concernente às armas em 1997. As recentes leis
referentes às armas de fogo, infelizmente, não
tornaram nem de longe as ruas da Austrália mais
seguras.
O índice total de homicídios, após
ter-se mantido basicamente estático de 1995 a
2001, começou, agora, a crescer novamente. O declínio
na taxa de homicídios na permissiva legislação
referente às armas dos Estados Unidos, contrapõe-se à tendência
da Austrália.
A divergência entre a Austrália e os Estados Unidos fica ainda
mais evidente com relação ao crime violento. Enquanto o crime
violento vem declinando nos Estados Unidos, na Austrália, está aumentando.
Nos últimos seis anos o índice geral do crime violento na Austrália
tem continuado a crescer. Os índices de assalto e de assalto à mão
armada têm continuado a aumentar. Os assaltos à mão armada
aumentaram em 166% em todo o país. O confisco e a destruição
de armas de fogo legais custaram aos contribuintes australianos pelo menos
$500 milhões. Os custos com os serviços burocráticos da
polícia, inclusive o imenso custo da infraestrutura do sistema de registro
de armas aumentaram em 200 milhões desde 1997. E para quê? Não
houve um impacto visível sobre o crime violento. É impossível
justificar o aumento substancial da soma desembolsada pelos contribuintes,
sem que tenha havido qualquer decréscimo da criminalidade. Pelo montante
de tal tipo de imposto, a polícia poderia ter mais carros de patrulha,
plantões mais curtos, ou até mesmo um melhor equipamento. Pense
em quantas vidas poderiam ter sido salvas.
Canadá
Nos
anos 90, mudanças radicais foram feitas
nas leis relacionadas a armas de fogo, primeiro
em 1991 e, novamente, em 1995. A licença
e o registro ainda estão sendo implantados.
O contraste entre os índices
de violência criminal nos Estados Unidos e no Canadá, é dramático.
Na última década, a taxa de crimes violentos tem aumentado,
enquanto que, nos Estados Unidos, ela tem diminuído verticalmente.
A experiência canadense com a regulamentação das armas
de fogo está se tornando uma farsa. O esforço de registrar todas
as armas de fogo que, inicialmente apregoou ter um custo de apenas $ 2 milhões
de dólares canadenses, está sendo estimado em algo como $ 1 bilhão
pelo Auditor Geral. Os custos finais são desconhecidos mas, se os custos
da imposição estão inclusos, o total pode facilmente atingir
$3 bilhões. Os contribuintes fariam bem em solicitar estudos independentes
do custo-benefício registrado, para saber quanto mais o registro de
armas já está custando.
A legislação restritiva sobre armas de fogo falhou em reduzir
os crimes violentos na Austrália, no Canadá ou na Grã-
Bretanha. A política de confisco das armas foi um malogro de alto custo.
A violência criminal não decresceu. Ao contrário, ela continua
a aumentar. Infelizmente, a política avisa que as diretrizes atuais
irão permanecer e, mais importante, que não serão examinadas
criticamente.
Apenas os Estados Unidos testemunharam uma queda dramática na violência
criminal na década passada. Talvez esteja na hora de os políticos
da Comunidade dos Países Britânicos reverem sua tradicional antipatia
com relação à legislação relativa à posse
de armas de fogo.
É
uma ilusão achar que o banimento das armas proteja o público.
Nenhuma lei, não importa o quão restritiva ela seja, pode proteger-nos
de pessoas decididas a cometer crimes violentos. Talvez devamos ser mais rigorosos
no trato com os criminosos do que com os caçadores e esportistas do
tiro ao alvo?.
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Gary
A. Mauser é Professor Catedrático
no Institute for Urban Canadian Research Studies
e na Faculty of Business Administration na
Simon Fraser University, Burnaby, Columbia
Britânica, Canadá. É também
Ph.D. em Psicologia Social da University of
Califórnia, em Irvine. Publicou numerosos
trabalhos acadêmicos sobre análise
e pesquisa, armas de mão e violência,
avaliando a legislação sobre
armas de fogo. |
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