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Conciliação
por covardia
Dr. Rafael Vitola Brodbeck
A paz não é meio, é fim. E, por ser
fim, requer, para que a alcancemos, que nos utilizemos
de um meio. Por sua vez, é necessário efetuar
uma escolha de qual meio utilizar, é preciso fazer
um juízo de valor dos meios disponíveis,
elegendo o reputado mais adequado e conveniente.
Como substituímos, nos últimos 70 ou 80 anos,
a faculdade de pensar pela incrível e idiotizante
capacidade de assimilar e repetir bordões sem sentido,
politicamente corretos, e permeados de sofismas, é cada
vez mais comum que, com os dados da realidade não
raciocinemos. Ao invés de lançarmos mão
dessa ferramenta (desconhecida de tantos) chamada intelecto,
contentamo-nos com as frases feitas, com os chavões
vomitados pelos "formadores de opinião" -
geralmente pessoas sem o menor conhecimento do que falam,
o que os faz detentores de um formidável poder
de proferir imbecilidades.
Nessa esteira, a paz muda-se, na prática, em meio,
não mais considerada uma meta. Como é meio,
torna-se recurso a ser observado - para fins, às
vezes, escusos. Exemplifico. Um assassino investe contra
uma adolescente desarmada. A pretexto de ser pacífico,
o pai da jovem não a defenderá, inclusive
com (proibidas pela burocracia hipócrita) armas
de fogo? Se a paz é fim, pode ser alcançada, às
vezes, com comportamentos ordenadamente violentos. Note,
leitor: ordenadamente! Quando a paz se converte de fim
em meio, até o recurso à justa e ordenada
violência (legítima defesa) torna-se condenável...
Igual sentido teve a omissão de Chamberlein frente
a Hitler. Viu inerte o monstro totalitário avançar
sobre a Europa, invocando a paz como desculpa. Melhor fez
Churchill: para alcançar a paz - fim -, entendeu
a necessidade de eliminar o nazismo pelo conflito bélico.
A conciliação pode ser um bem, um ótimo
meio de alcançar a paz. Não obstante, se
o pacífico se transforma em pacifista, os maiores
crimes e os mais grotescos absurdos viram "toleráveis" para
manter um conceito esquisito de paz. Esta, em verdade, é a
justiça, é a tranqüilidade na ordem,
não a conciliação a qualquer preço.
O amor à paz não pode ser sinônimo
de covardia.
Dr.
Rafael Vitola Brodbeck
Advogado, escritor e pensador católico
rafavitola@veritatis.com.br |